Galeria de Imagens
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Fotografia aérea
Rocha, A. M. (2004), "Volta APAU 2009 - Rios e Fortalezas de Fronteira", 10 de Janeiro de 2004. Acedido em 10 de Dezembro de 2010, http://www.linhadafrente.net/modules.php?name=Forums&file=viewtopic&t=15144&start=15
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Pregão às aldeias do Concelho
Fumadores de Algoso,
Bailantes de Vale de Frades,
Curtidores de Carção,
Em Caçarelhos mocidade;
Tendeiros do Campo,
Os de Vimioso são letrados,
Bugalhudos de Santulhão,
Como toda a gente sabe.
Os gaiteiros são d'Angueira,
De Avelanoso os carvoeiros,
Os de Pinelo são boieiros,
E de Serapicos os raticos.
Surradores de Argoselo,
De São Joanico os sapateiros,
Em Vale de Pena carvoeiros,
E de Vilar Seco os 'scrinheiros.
Autor desconhecido
domingo, 14 de novembro de 2010
Rota da Terra Fria Transmontana
Rotaterrafria, “Rota da terra fria”, 6 de Março de 2007. Videograma online. Youtube. Acedido em 4 de Novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
A Moura de Algoso
Algoso é uma pequena aldeia perdida nas serranias transmontanas. Diz uma lenda que ainda hoje por lá corre que, no tempo dos Mouros existia nos arredores um bruxo famoso, conhecedor de mezinhas milagrosas e sabedor do passado e do futuro. Vivia num casebre um pouco afastado da povoação, mas nem a pobreza da sua casa, nem o afastamento da mesmo obstavam a que ali acorressem quantos acreditavam nas suas capacidades mágicas ou videntes.
Na verdade, ricos e pobres, de longe ou de perto, todos ali acudiam em busca de cura para os seus males, pedindo filtros de amor ou indagando sobre o que lhes reservaria o futuro.
Em certos dias era uma autêntica romaria. E com tudo isto o bruxo criou fama e proveito de homem rico, apesar de continuar a viver no pobre casebre tentando fazer-se passar por miserável. Entretanto, os cristãos iam avançando na reconquisto de território ainda sobre a dependência dos Mouros e estavam a aproximar-se rapidamente de Algoso. Sabendo disto o bruxo, que não podia prever o seu próprio futuro, calculou que a ocupação cristã não viesse a ser muito demorada e decidiu esconder os seus tesouros, disposto a recuperá-los mais tarde, quando pudesse recuperar o seu oficio.
Assim pensando, escolheu o que poderia carregar consigo, e o restante, as jóias e o ouro, meteu-o num cofre de marfim chapeado a cobre. Feito isto, e como precisava de encontrar um bom esconderijo para a sua fortuna, partiu com o cofre debaixo do braço em demanda do melhor local.
Depois de muito procurar, achou que o melhor sitio era debaixo da fonte de S. João, debaixo das raízes de um enorme e belo chorão que derramava a sua sombra as águas. Pegou numa enxadinha e cavou um buraco apropriado ao tamanho do cofre. Meteu-o lá dentro, tapou-o com terra e disfarçou a obra com folhagem e gravetos.
Terminando o trabalho, levantou-se e olhou em volta. Espantado, viu uma mourinha que, descuidada, descia uma vereda da serra cantando uma velha canção. Convencido que a moura o vira esconder o cofre e estava agora a disfarçando o caso, o bruxo encaminhou-se para ela, olhou-a com uma estranha fixidez, fez uns sinais misteriosos e, recitando certa oração antiga, lançou sobre a menina um encantamento, de tal modo que ela desapareceu no mesmo instante. Casquinhando, esfregou as mãos, pegou nos seus haveres e desandou rapidamente para a floresta, donde nunca mais voltou. A lenda da moura de Algoso foi passando de boca em ouvido, de geração em geração.
A fonte de S. João de resto, continuava ali, lembrando a todos a desdita da mourinha encantada pelo bruxo e desafiando a coragem de quem sonhasse desencantá-la. Uma noite, muito próxima da de S. João, uma rapaz de Algoso que se apaixonara pela história sonhou que via a moura na fonte. Mal acordou, decidiu que, desse lá por onde desse, havia de tentar ver na madrugada de S. João se a lenda era verdadeira. Além disso, como corria se alguém visse a moura nas suas horas felizes lhe podia fazer três pedidos, os quais seriam atendidos, o rapaz achou que, apesar do medo, era talvez vantajoso fazer aquela tentativa. Na véspera de S. João, encaminhou-se para a fonte ainda antes de anoitecer por completo. Procurou um local para se esconder, um local de onde visse sem ser visto, e preparou-se para esperar pela meia noite sem fazer ruído algum. O velho chorão da fonte, já centenário, continuava lançando sobre a água os seus ramos lacrimejantes.
Do outro lado, havia agora um belíssimo roseiral, donde provinha um perfume intenso quando todas as rosas abriam. Chegou a meia noite. De repente o rapaz ouviu uma restolhada vinda das bandas do roseiral. Era uma enorme serpente que, rastejando, se dirigia para a fonte. Aí chegada, mergulhou três vezes. Qual não foi o espanto do moço quando viu aparecer sobre as águas uma menina: a moura da fonte e... mais bela do que tradição contava. A moura saltou com leveza da rocha para o solo e, sentando-se na borda da fonte, começou a cantar uma suave canção que o marulhar da água acompanhava, enquanto ela ia passando um pente pelos seus cabelos loiros. Subitamente, uma corça apareceu vinda da floresta e, sem mostrar qualquer receio, aproximou-se da moura, que a afagou com ternura. A corça, num gesto de agradecimento, lambeu-lhe as babuchas de damasco azul.
Era realmente um espectáculo de beleza que o rapaz jamais esperava encontrar, E, acocorado no seu canto, esqueceu os três pedidos que queria fazer, esqueceu tudo, esqueceu-se até de si mesmo, até que, bruscamente, a moura parou de se pentear, debruçou-se no tanque e desatou num pranto irreprimível. Chorava, talvez, a dor da sua solidão sem fim. Condoído, o rapaz fez um movimento para a consolar, esquecido do que não fosse aquela ânsia de ternura que dele se apoderara. Ao erguer-se, porém, fez estalar sob o corpo os ramos da sebe em que se escondera. A corça embrenhou-se rapidamente no mato e a moura desapareceu subitamente, evolando-se numa névoa sobre a águas da fonte de S. João de Algoso.
Fonte de Luz, (s/d), "A Moura de Algoso", e de Dezembro de 2009, Concultado a 4 de Novembro de 2010 <http://www.fontedeluz.com/?ver=8&id=126>
Actividade lúdico/cultural
À conquista do Castelo de Algoso
Venha percorrer os antigos caminhos que ligam Atenor a Algoso com a companhia dos burros de Miranda, uma raça autóctone desta região e em vias de extinção.
Aproveite ainda para conhecer o Centro de Recria do Burro de Miranda, em Atenor, visitar uma exposição sobre a raça e antigos usos, e ainda, dependendo da época do ano, acarinhar pequenos burricos nascidos ali.
Duração: 2 dias
Número de pessoas: nº mínimo de participantes - 6 adultos (para números inferiores terá de ocorrer adaptação do preço)
Ponto de partida: Atenor
Ponto de chegada: Valcerto
Dificuldade: Médio (alguns desníveis consideráveis para ultrapassar os pequenos vales). Sempre por caminhos.
Distância: 29 km
Burros: 1 burro/2-3 pessoas
Motivos de interesse: paisagem, cultura, património, fauna, flora
Observações: aconselhável levar binóculos
Preço: Burriqueiro Familiar - 210 €/pessoa
Burriqueiro Campista – 140 €/pessoa
Burriqueiro Aventura – 85 €/pessoa
Dia 0 Chegada e instalação dos participantes.
Dia 1
Desde a aldeia de Atenor, partiremos numa grande aventura tendo como companheiros de viagem alguns exemplares de Burros de Miranda. Passaremos por montes e vales verdejantes, seguindo por caminhos utilizados pelas pessoas locais desde há muitos anos, até atingirmos Vale de Algoso.
Logo um pouco após a saída de Atenor, vislumbraremos o Castelo de Algoso ao longe, espreitando por entre montes salpicados de campos e pombais tradicionais. Passaremos ao lado de Teixeira e seguiremos em fila indiana por um velho carreirão outrora utilizado para chegar de forma mais rápida até Mora (a aldeia vizinha). O carreirão acompanha o Ribeiro do Prado, até atingirmos a Ribeira das Tortulhas. Dependendo da época do ano atravessá-la poderá ser uma aventura!
Venha percorrer os antigos caminhos que ligam Atenor a Algoso com a companhia dos burros de Miranda, uma raça autóctone desta região e em vias de extinção.
Aproveite ainda para conhecer o Centro de Recria do Burro de Miranda, em Atenor, visitar uma exposição sobre a raça e antigos usos, e ainda, dependendo da época do ano, acarinhar pequenos burricos nascidos ali.
Duração: 2 dias
Número de pessoas: nº mínimo de participantes - 6 adultos (para números inferiores terá de ocorrer adaptação do preço)
Ponto de partida: Atenor
Ponto de chegada: Valcerto
Dificuldade: Médio (alguns desníveis consideráveis para ultrapassar os pequenos vales). Sempre por caminhos.
Distância: 29 km
Burros: 1 burro/2-3 pessoas
Motivos de interesse: paisagem, cultura, património, fauna, flora
Observações: aconselhável levar binóculos
Preço: Burriqueiro Familiar - 210 €/pessoa
Burriqueiro Campista – 140 €/pessoa
Burriqueiro Aventura – 85 €/pessoa
Dia 0 Chegada e instalação dos participantes.
Dia 1
Desde a aldeia de Atenor, partiremos numa grande aventura tendo como companheiros de viagem alguns exemplares de Burros de Miranda. Passaremos por montes e vales verdejantes, seguindo por caminhos utilizados pelas pessoas locais desde há muitos anos, até atingirmos Vale de Algoso.
Logo um pouco após a saída de Atenor, vislumbraremos o Castelo de Algoso ao longe, espreitando por entre montes salpicados de campos e pombais tradicionais. Passaremos ao lado de Teixeira e seguiremos em fila indiana por um velho carreirão outrora utilizado para chegar de forma mais rápida até Mora (a aldeia vizinha). O carreirão acompanha o Ribeiro do Prado, até atingirmos a Ribeira das Tortulhas. Dependendo da época do ano atravessá-la poderá ser uma aventura!
Deparamo-nos depois com uma subida em zig-zag até Mora onde faremos uma paragem para a merenda e um descanso. Aproveitamos para conviver um pouco com os habitantes da aldeia, fiéis representantes da amabilidade e simpatia transmontana.
O caminho até Uva é curto e sem grandes dificuldades. Logo depois de alguns minutos de caminho, poderemos observar a aldeia dos pombais. Após passarmos as eiras, local onde anteriormente o cereal era trilhado e separado, entraremos na povoação onde tentaremos visitar um dos seus muitos pombais tradicionais.
Seguiremos o antigo caminho até Vale de Algoso, durante o qual atravessaremos o Rio Angueira através de um açude, junto às ruínas de um antigo moinho de água. Após a última subida da jornada, atingiremos Vale de Algoso, aldeia onde as casas antigas de pedra ainda predominam, onde se situa o Turismo Rural - Casa dos Pimentéis. A boa hospitalidade de quem aí mora tornará a sua estadia muito agradável.
Dia 2 Partiremos de Vale de Algoso em direcção a Algoso, por entre caminhos inicialmente rodeados de hortas e mais à frente de matos mediterrânicos, olivais e amendoais. Em tempo de amendoeiras em flor deparamo-nos com uma visão deslumbrante de encostas cobertas de branco com o castelo de Algoso ao fundo.
Após uma visita aos pontos mais emblemáticos da aldeia, subiremos até ao Castelo para usufruirmos de uma ampla vista sobre todo o planalto.
O caminho até Uva é curto e sem grandes dificuldades. Logo depois de alguns minutos de caminho, poderemos observar a aldeia dos pombais. Após passarmos as eiras, local onde anteriormente o cereal era trilhado e separado, entraremos na povoação onde tentaremos visitar um dos seus muitos pombais tradicionais.
Seguiremos o antigo caminho até Vale de Algoso, durante o qual atravessaremos o Rio Angueira através de um açude, junto às ruínas de um antigo moinho de água. Após a última subida da jornada, atingiremos Vale de Algoso, aldeia onde as casas antigas de pedra ainda predominam, onde se situa o Turismo Rural - Casa dos Pimentéis. A boa hospitalidade de quem aí mora tornará a sua estadia muito agradável.
Dia 2 Partiremos de Vale de Algoso em direcção a Algoso, por entre caminhos inicialmente rodeados de hortas e mais à frente de matos mediterrânicos, olivais e amendoais. Em tempo de amendoeiras em flor deparamo-nos com uma visão deslumbrante de encostas cobertas de branco com o castelo de Algoso ao fundo.
Após uma visita aos pontos mais emblemáticos da aldeia, subiremos até ao Castelo para usufruirmos de uma ampla vista sobre todo o planalto.
O Castelo situa-se no cimo de uma imponente escarpa sobre o rio Angueira, de onde podem ser observadas águias e abutres.
Passados os momentos de contemplação, seguiremos encosta abaixo até à antiga Ponte Medieval sobre o rio Angueira onde desfrutaremos de um almoço campestre numa das margens, onde poderemos observar cágados, melros-d’água e guarda-rios.
Já da parte da tarde, subiremos até à aldeia de Valcerto através de um caminho em ziguezague que se desenvolve por um bosque de sobreiros centenários.
Sempre com a imagem do Castelo de Algoso como companhia, agora desde uma outra perspectiva, chegaremos a Valcerto onde seremos recebidos pelos seus habitantes, e sempre que possível pelas Pauliteiras de Valcerto.
Contactos: burranco@gmail.com ou 960173863/914093724
____________________________________
À descoberta do último rio selvagem
O rio Sabor é um dos últimos rios ibéricos sem barragens. Este factor, associado à elevada diversidade biológica e muito baixa perturbação humana em toda a sua bacia, levou à sua classificação como um dos últimos rios naturais de Portugal. Sobre ele paira a ameaça de construção de uma grande barragem que iria destruir irreversivelmente um património único e de todos nós.
Com este passeio poderá conhecer alguns dos mais extensos e bem conservados azinhais e sobreirais do Nordeste do país, a vegetação do leito de cheia outrora comum à maior parte dos rios e outros habitats incluídos na Rede Natura 2000.
Poderá também acompanhar o voo de várias espécies rupícolas ameaçadas, tal como a águia de Bonelli, a águia-real, o abutre do Egipto e a cegonha-preta, e maravilhar-se com as belas paisagens de um rio, ainda, livre. Embora difíceis de observar, existem numerosas espécies de mamíferos presentes neste vale, e que nos poderão sempre surpreender – lontra, toupeira-de-água, gato-bravo, fuinha, gineta, doninha, javali, corço e lobo, entre outros.
À semelhança do vale do Côa, também aqui poderemos encontrar gravuras rupestres, algumas delas datadas do Paleolítico.
Dependendo da época do ano, poderá ainda usufruir de uma agradável banhoca nas águas do Sabor.
Duração: 2 dias
Número de pessoas: nº mínimo de participantes - 6 adultos (para números inferiores terá de ocorrer adaptação do preço)
Ponto de partida: Sampaio
Ponto de chegada: Ponte de Remondes
Dificuldade: Médio. Sempre por caminhos.
Distância: km
Burros: 1 burro/2-3 pessoas
Motivos de interesse: paisagem, fauna, flora, habitats
Observações: aconselhável levar binóculos
Preço:
Burriqueiro Familiar - 210 €/pessoa
Burriqueiro Campista – 140 €/pessoa
Burriqueiro Aventura – 85 €/pessoa
Para marcações: burranco@gmail.com ou 960173863/914093724
O rio Sabor é um dos últimos rios ibéricos sem barragens. Este factor, associado à elevada diversidade biológica e muito baixa perturbação humana em toda a sua bacia, levou à sua classificação como um dos últimos rios naturais de Portugal. Sobre ele paira a ameaça de construção de uma grande barragem que iria destruir irreversivelmente um património único e de todos nós.
Com este passeio poderá conhecer alguns dos mais extensos e bem conservados azinhais e sobreirais do Nordeste do país, a vegetação do leito de cheia outrora comum à maior parte dos rios e outros habitats incluídos na Rede Natura 2000.
Poderá também acompanhar o voo de várias espécies rupícolas ameaçadas, tal como a águia de Bonelli, a águia-real, o abutre do Egipto e a cegonha-preta, e maravilhar-se com as belas paisagens de um rio, ainda, livre. Embora difíceis de observar, existem numerosas espécies de mamíferos presentes neste vale, e que nos poderão sempre surpreender – lontra, toupeira-de-água, gato-bravo, fuinha, gineta, doninha, javali, corço e lobo, entre outros.
À semelhança do vale do Côa, também aqui poderemos encontrar gravuras rupestres, algumas delas datadas do Paleolítico.
Dependendo da época do ano, poderá ainda usufruir de uma agradável banhoca nas águas do Sabor.
Duração: 2 dias
Número de pessoas: nº mínimo de participantes - 6 adultos (para números inferiores terá de ocorrer adaptação do preço)
Ponto de partida: Sampaio
Ponto de chegada: Ponte de Remondes
Dificuldade: Médio. Sempre por caminhos.
Distância: km
Burros: 1 burro/2-3 pessoas
Motivos de interesse: paisagem, fauna, flora, habitats
Observações: aconselhável levar binóculos
Preço:
Burriqueiro Familiar - 210 €/pessoa
Burriqueiro Campista – 140 €/pessoa
Burriqueiro Aventura – 85 €/pessoa
Para marcações: burranco@gmail.com ou 960173863/914093724
AEPGA (s/d), "Passeios de burro - 2 dias", s/d, consultado em 4 de Novembro de 2010, <http://www.aepga.pt/portal/PT/144/default.aspx>
Usos e Costumes de Algoso - Bragança - Encomendação das Almas
A “Encomendação das Almas”, uma celebração associada ao culto dos mortos, e que em tempos se fazia na maioria das aldeias transmontanas, continua a ter expressão, todas as Sextas-feiras da Quaresma, a partir da meia-noite, em Algoso, uma aldeia histórica do concelho de Vimioso.
Um pequeno grupo de pessoas da aldeia teima em fazer sobreviver um ritual cuja origem, como a maioria das tradições, se perde no tempo e corre, como tantas, o risco de se perder.
Esta encomendação, que decorre obrigatoriamente a partir da meia-noite, junta lado a lado um pequeno grupo de homens e mulheres, que percorrem, noite dentro, todos os bairros da aldeia para lembrarem àqueles que “já dormem o primeiro sono” que é preciso rezar pelos mortos, que solicitam o auxílio dos vivos para a sua entrada no Paraíso.
Colocados em lugares estratégicos e agrupados num pequeno círculo, entoam um punhado de versos que, a distintas vozes e em ritmo afinado, a que se misturam um tom dolente e sinistro, dão vida às sonoridades de uma melodia que aprenderam dos avós.
“Acorda ó pecador / acorda não durmas mais / olha que se estão queixando / as almas dos vossos pais.” Dizem alguns dos versos das três estrofes de uma canção, que é também um alerta, ensaiada vezes sem conta algumas horas antes da saída, para ajudar a distrair do sono.
Feito com algum secretismo, o cerimonial acontece tardio. “Só vamos quando já todos estão a dormir, para depois os acordarmos e fazer com que aqueles que nos ouvem rezem pelas almas do Purgatório”, explica Ascensão Vicente.
Antigamente, diz Maria da Natividade, “só eram três pessoas, dois homens e uma mulher, e, como fazia muito frio, os homens iam muito tapadinhos, com aqueles capotes de burel”, e percorriam, mesmo às escuras, as ruas enlameadas da aldeia para poder levar a todos os recantos os versos da tradição. “Quando era nova, lembro-me bem de os ouvir da cama e a gente arrepiava-se com aquilo”, recorda Maria da Natividade.
Folclore-online (s/d), "Usos e Costumes de Algoso - Bragança - Encomendação das Almas" ,s/d, consultado em 4 de Novembro de 2010, <http://folclore-online.com/ciclos/quaresma/encomendacao_almas_algoso.html>
Segundo Alfredo Carvalho, que apesar dos seus mais de oitenta anos ainda acompanha o grupo, “as pessoas que nos ouviam punham também à janela uma candeia ou uma vela acesa”. Hoje “convidam-nos a entrar em suas casas e oferecem-nos uma fatia de bolo, um copo de vinho ou bagaço para afinar a voz, e a gente agradece, porque as noites ainda estão muito frias”, diz Augusto Gouveia.
A rua da lagoa, o tronco, o pelourinho ou o barranco, são alguns dos pontos obrigatórios desta ronda nocturna, que se estende muitas vezes até às duas da madrugada para fazer chegar a encomendação a toda a aldeia.
“Os versos são muito antigos, foram os nossos pais e os nossos avós que no-los ensinaram, porque, desde novos, nos juntávamos a eles e fazíamos por aprender estas coisas”, recorda José Carlos Brinco.
No entanto, receiam que a tradição acabe por se perder, porque, lamenta-se Ascensão Vicente, “ao contrário da nossa, a geração de agora não quer aprender nada disto, os jovens já não põem fé a nada”.
Mas este ritual da “Encomendação das Almas”, que ainda vai sobrevivendo, não o faziam apenas em Algoso, deslocavam-se muitas vezes às aldeias vizinhas, como Vale de Algoso, ou mesmo à vila de Vimioso, “sempre que havia vagar”, conta Augusto Gouveia, que começou a participar nesta tradição aos dezanove anos.
Mas Algoso, que conserva ainda um invejável património arquitectónico, tem outras tradições quaresmais, como aquela que se realiza na Quinta-feira Santa e que leva os mais devotos a visitar todos os lugares sagrados da aldeia.
Cada um dos pequenos santuários é adornado de colchas brancas e flores pelas zeladoras e, ao início da tarde, individualmente ou em pequenos grupos, visitam, uma a uma, todas as capelinhas, num compasso onde as orações são ponto obrigatório. As Igrejas da Misericórdia, S. Roque e S. João são alguns dos santuários da visita, que termina na capelinha da Nossa Senhora do Castelo.
Folclore-online (s/d), "Usos e Costumes de Algoso - Bragança - Encomendação das Almas" ,s/d, consultado em 4 de Novembro de 2010, <http://folclore-online.com/ciclos/quaresma/encomendacao_almas_algoso.html>
Vale de Algoso apaixona “tripeiros”
Meia dezena de famílias sem raízes na região investem nesta aldeia do concelho de Vimioso
Vale de Algoso apaixona “tripeiros”
Basta meia volta por Vale de Algoso, no concelho de Vimioso, para constatar que, além das casas de granito, com as suas varandas típicas, não há nenhum monumento ou património emblemático que se destaque.
Contudo, depois de uma visita mais demorada, a paisagem e o sossego, as tradições e os costumes, aliados às gentes hospitaleiras entranham-se de tal modo que, meia dezena de famílias, sem qualquer ligação à região, decidiram construir habitações nesta anexa de Algoso.
Bento Martins é um “forasteiro” oriundo do Porto que fez de Vale de Algoso a sua “terra natal”, onde até já construiu uma casa. “Conheci esta região por motivos profissionais e, mal vi esta aldeia, apaixonei-me e liguei imediatamente à minha esposa a dizer-lhe que encontrei um lugar de sonho”, recordou o tripeiro.
Depois de anos a hospedar-se na Casa dos Pimentéis, uma unidade de turismo rural local, Bento Martins decidiu comprar um imóvel de traça tradicional, que se encontrava degradado. Recuperou-o, mantendo a tipicidade da arquitectura transmontana, e hoje não passa um mês sem vir a Trás-os-Montes, mais do que uma vez. Tanto assim é que até já é mordomo da festa na aldeia. “Fui criando raízes aqui e, um dia mais tarde, pretendo instalar-se cá definitivamente”, confessa.
Gentes hospitaleiras cativam turistas do Norte do País
A par do sossego, aquilo que mais atraiu Bento Martins foram os habitantes acolhedores e hospitaleiros, que fazem com que qualquer “estranho” se sinta em casa.
“Estas gentes têm uma química diferente de todos os outros transmontanos. São pessoas boas, que dão o que têm, mesmo a quem não conhecem”, sublinhou o nortenho.
Características e qualidades que não deixam indiferentes os turistas que passam pela Casa dos Pimentéis.
“Abrimos em 2000 e recebemos uma média de 50 pessoas por mês sem raízes na freguesia e que, na sua maioria, regressam”, revelou Domingos Pimentel, o proprietário da unidade de turismo rural.
Segundo o empresário, este “fenómeno” criou “uma dinâmica nova na aldeia, que estava moribunda e, com esta gente nova, foi revitalizada”.
Já para o presidente da Junta de Freguesia de Algoso, Luís Manuel, a vinda de novas pessoas tem contribuído para a recuperação da imagem da própria aldeia. “Havia muitas casas degradadas que foram reconstruídas, mas mantêm os projectos tradicionais”, sublinhou o autarca.
Recorde-se que Vale de Algoso tem cerca de 30 habitantes permanentes, mas que em fins-de-semana ou datas festivas a população duplica.
Canteiro, Sandra (2009), "Vale de Algoso apaixona “tripeiros” ", 15 de Dezembro de 2009. Consultado em 4 de Novembro de 2010, <http://www.jornalnordeste.com/noticia.asp?idEdicao=296&id=13174&idSeccao=2667&Action=noticia>
ALGOSO
Algoso, povoação do concelho de Vimioso, no distrito de Bragança, com 105 fogos em 1530 e 198 em 1940. Outrora vila e cabeça de concelho, hoje em dia quase esquecida, no fundo da planície onde se avistam as serras de Sanabria, Bornes e Nogueira. Nas suas terras muito férteis, colhia-se o trigo, centeio, cevada, azeite e vinho
.

Quando, em 1855, foi suprido o concelho, Algoso, tinha Casas da Câmara e da Cadeia, um Monte de Piedade, que fornecia cereais a baixo preço aos lavradores menos afortunados, e uma escola de instrução primária masculina, que já existia em 1836, provavelmente em consequência dos decretos de 6 de Novembro de 1772 e 11 de Novembro de 1773. A Escola feminina foi criada por decreto de 8 de Setembro de 1876.
Algoso sobrevive à história e à Lenda - uma e outra sem demarcação bem definida - pelo trabalho dos homens e mulheres que aí ficaram para um dia "se deitarem no caixão" com a serenidade de quem chega honradamente ao fim de um longo e trabalhoso dia", no dizer de MIGUEL TORGA.

Algoso, com os seus romances de cavalaria, entoados de Sol a Sol nos campos da ceifa, e os seus pauliteiros envelhecidos que ainda cruzam e batem os paus com a violência de uma raiva - pauliteiros dos domingos sem fim, a espantar os Santos de madeira dos andores e as raparigas das procissões do Maio, que são hoje essas mulheres, partindo amêndoas nas soleiras das portas.
(Michel Giacometti, POVO QUE CANTA, 1973)
Publicada por Fernando_MC_Barros em: http://ogalaico.blogspot.com/2010/02/aldeias-galaicas-cap-ii-algoso.html
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
ALGOSO, Comendador
Algoso foi concelho até 1855, data em que foi suprimido. Esse espaço geográfico pertence, actualmente, ao concelho de Vimioso. Durante muitos anos ao nome do Comendador de Algoso, andou anexado o de Alcaide Mor. Foram os seguintes, os Comendadores desse antigo concelho: Frei João Borralho nasceu em Algoso e já era mencionado em documentos da Torre do Tombo, em 1538; Frei Gonçalo de Azevedo (1588, 1601 e 1610); Frei Luís de Brito Mascarenhas (1640); Frei António Pereira Brandão (1678); Pedro da Gama e Morais foi Capitão Mor e morreu em 1685; António Pimentel de Morais natural de Algoso, Cavaleiro professo na Ordem de Cristo. Foi eleito Capitão Mor pelo povo. Tomou posse em 19.7.1685, falecendo em 1689. Frei Heitor de Miranda Pinto (1707); Frei Paio de Abreu e Lima (1731); Frei José de Almeida Portugal (1756); Frei Francisco Guedes (1770/1777); Frei Manuel Pereira Coutinho (1791); D. Veríssimo de Lencastre (era Alcaide Mor em 1792); Frei Manuel Pais de Sá (1821 e 1831); Frei Joaquim Pais de Sá; Bento Manuel de Morais Pavão era Capitão Mor em 17.5.1790; João Manuel de Sá Machado foi nomeado Capitão Mor por carta de El Rei D. João VI, de 6.12.1811, em atenção aos serviços prestados e pela impossibilidade de ser seu genro Bento Manuel Pavão (a ser eleito).
In i volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Fonte:Notícias do Douro
Aldeia julga ter visto ovni que ateou incêndio
A população de Algoso, Vimioso, ficou assustada, na madruga de sábado, quando viu dois objectos luminosos "vermelho escuro" aparecerem nos céus da aldeia. Pouco depois, um deles desintegrou-se e o outro caiu num lameiro, nas traseiras do cemitério, provocando um pequeno incêndio, que de imediato foi extinto.
Maria Olívia Vaz, proprietária de um café na aldeia, diz ter visto duas luzes tão grandes que, quando tentou olhar para elas, ficou "com as vistas afectadas". Receosa que os objectos caíssem em cima de casa, gritou, provocando pânico entre os clientes que se encontravam na esplanada e que presenciavam igualmente o fenómeno. Anabela Martins conseguiu guardar um pequeno resíduo dos fragmentos para "recordação".
Aquela testemunha garante que na cauda da luz viu "um rasto de fumo que foi desaparecendo à medida que se aproximava do solo". Os bombeiros de Vimioso recolheram alguns vestígios, que serão enviados, hoje, para o Observatório Nacional de Astronomia.
Fonte: Algoso Online
em 13-05-2005 07:21
sábado, 30 de outubro de 2010
lenda da Moura de Algoso
O Castelo de Algoso decidiu presentear os seus amigos com este conto (áudio) sobre a lenda da Moura de Algoso. Esperemos que gostem.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Arquivo cinematográfico
Algoso, aldeia de História e tradições.
Programa POVO QUE CANTA, RTP.
Autor Michel Giacometti.
Anamnesis 2008 b-fachada ao vivo no Castelo de Algoso
Programa POVO QUE CANTA, RTP.
Autor Michel Giacometti.
Anamnesis 2008 b-fachada ao vivo no Castelo de Algoso
domingo, 17 de outubro de 2010
Ministério consegue mais verbas
Cortar no papel (substituído por suporte digital), reduzir o consumo de energia em dez por cento e passar a fazer chamadas através da internet. Eis algumas das formas sugeridas na proposta de Orçamento do Estado para 2011 para diminuir despesas no Ministério da Cultura (MC), cujos organismos deverão ainda obter verbas rentabilizando espaços e prestando serviços a empresas e cidadãos.
Uma das surpresas do Orçamento é a extinção da Direcção--Geral do Livro e das Bibliotecas (integrada na Biblioteca Nacional), enquanto os teatros nacionais D. Maria II (Lisboa) e São João (Porto) serão integrados na OPART, organização de produção artística que já geria a Companhia Nacional de Bailado e o Teatro de São Carlos.
Apesar das restrições anunciadas, o orçamento do MC regista uma subida de 2,9 por cento (5,6 milhões), totalizando 201,3 milhões de euros, e alguns dos seus organismos serão mesmo contemplados com aumento de verba. Casos da Cinemateca (que sobe 48 por cento, de 3,7 para 5,5 milhões de euros), do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (de 16,1 para 20,9 milhões de euros) e do Instituto do Cinema e do Audiovisual (de 12,8 para 15,6 milhões). Sobe ainda o Fundo de Fomento Cultural (para 24,8 milhões). O MC anunciou que não gastou o dinheiro de que dispunha para 2010: nos cofres ficaram 40,6 milhões de euros.
Fonte: Correio da Manhã
Por:Ana Maria Ribeiro com Lusa
sábado, 16 de outubro de 2010
Castelo de Algoso mais atractivo
Até 2004, o castelo de Algoso, no concelho de Vimioso, vai ser transformado num museu vivo sobre a história da nacionalidade.
Fruto de um protocolo estabelecido entre a Câmara Municipal de Vimioso e o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) serão investidos cerca de 90 mil contos na cobertura e iluminação interior da torre de menagem, musealização de algumas áreas da fortificação e na criação de um centro de interpretação. Este equipamento ficará situado junto ao pelourinho da freguesia, num imóvel que o IPPAR vai adquirir “para restaurar de forma exemplar”, revelou Paulo Amaral, arqueólogo daquele Instituto. Para além de dados históricos, o centro vai disponibilizar os resultados das escavações que têm vindo a ser efectuadas desde o ano passado.
As intervenções correspondem à segunda fase da reabilitação do castelo, onde já foram investidos 25 mil contos na melhoria dos acessos, na criação de um parque de estacionamento, iluminação exterior e colocação de vedações e escadarias.
Esta fase compreende, também, a edição de desdobráveis alusivos à fortificação e de um videograma sobre a Comenda de Algoso, que na Idade Média tomou conta do castelo.
Por outro lado, está prevista a construção duma escadaria de acesso ao topo da torre de menagem, “o que permitirá tirar máximo partido da paisagem”, acrescentou Paulo Amaral.
Fruto de um protocolo estabelecido entre a Câmara Municipal de Vimioso e o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) serão investidos cerca de 90 mil contos na cobertura e iluminação interior da torre de menagem, musealização de algumas áreas da fortificação e na criação de um centro de interpretação. Este equipamento ficará situado junto ao pelourinho da freguesia, num imóvel que o IPPAR vai adquirir “para restaurar de forma exemplar”, revelou Paulo Amaral, arqueólogo daquele Instituto. Para além de dados históricos, o centro vai disponibilizar os resultados das escavações que têm vindo a ser efectuadas desde o ano passado.
As intervenções correspondem à segunda fase da reabilitação do castelo, onde já foram investidos 25 mil contos na melhoria dos acessos, na criação de um parque de estacionamento, iluminação exterior e colocação de vedações e escadarias.
Esta fase compreende, também, a edição de desdobráveis alusivos à fortificação e de um videograma sobre a Comenda de Algoso, que na Idade Média tomou conta do castelo.
Por outro lado, está prevista a construção duma escadaria de acesso ao topo da torre de menagem, “o que permitirá tirar máximo partido da paisagem”, acrescentou Paulo Amaral.
Tendo em conta que o local tem sido alvo de alguns actos de vandalismo, a edilidade e o IPPAR vão contratar uma guarda que, para além da tarefa de vigilância, vai assegurar a distribuição dos desdobráveis que serão editados.
As obras previstas na segunda fase, aliadas à criação do Centro de Interpretação, serão, segundo o IPPAR, “um factor de animação para a aldeia”.
Assim o espera o presidente da Junta de Freguesia de Algoso, Isaías Gouveia. “Este investimento representa muito para nós, porque somos uma aldeia histórica e vamos ter mais condições para as pessoas que nos vêm visitar”, defende o autarca.
O presidente da Junta assegura que a freguesia é visitada com frequência por pessoas de todo o país e de Espanha, principalmente durante o fim-de-semana. A criação da vedação no castelo contribuiu para aumentar o número de visitas, dado que o castelo situa-se a 500 metros de altitude e tem uma vista vertiginosa para o vale do rio Angueira e Planalto Mirandês.
Construído no século XII a Maio do caminho entre Mogadouro e Vimioso, defendia uma importante posição estratégica, dado que era um ponto de observação privilegiado.
JC - Jornal Nordeste
Assim o espera o presidente da Junta de Freguesia de Algoso, Isaías Gouveia. “Este investimento representa muito para nós, porque somos uma aldeia histórica e vamos ter mais condições para as pessoas que nos vêm visitar”, defende o autarca.
O presidente da Junta assegura que a freguesia é visitada com frequência por pessoas de todo o país e de Espanha, principalmente durante o fim-de-semana. A criação da vedação no castelo contribuiu para aumentar o número de visitas, dado que o castelo situa-se a 500 metros de altitude e tem uma vista vertiginosa para o vale do rio Angueira e Planalto Mirandês.
Construído no século XII a Maio do caminho entre Mogadouro e Vimioso, defendia uma importante posição estratégica, dado que era um ponto de observação privilegiado.
JC - Jornal Nordeste
Algoso ganha Museu
O castelo de Algoso, no concelho de Vimioso, vai passar a dispor de um centro de acolhimento a visitantes e de um núcleo interpretativo e museológico, que ficará instalado num imóvel a recuperar, situado no largo do Pelourinho da aldeia.
Trata-se de um local de passagem obrigatória para quem se dirige à antiga fortaleza e onde se encontram outros monumentos já recuperados, nomeadamente o Pelourinho.
A intervenção prevista ronda os 150 mil euros, sendo o projecto, a recuperação e a adaptação do edifício da responsabilidade do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR).
A intervenção prevista ronda os 150 mil euros, sendo o projecto, a recuperação e a adaptação do edifício da responsabilidade do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR).
Aldeia que já foi vila.
Segundo o vice-presidente da Câmara Municipal de Vimioso, Jorge Fidalgo, o imóvel a recuperar foi adquirido pela autarquia e cedido ao IPPAR, com a condição de ali ser construído o centro interpretativo.
Com a concretização do projecto, Jorge Fidalgo antevê o alargamento da oferta turística e cultural da freguesia.
Recorde-se que o concelho e a vila de Algoso foram extintos em 1855. A antiga vila era comarca, edifício da Câmara e Cadeia, o que lhe conferia alguma importância no território do Planalto Mirandês.
O centro interpretativo vai entrar em funcionamento no final do próximo ano. Apesar de alguns edifícios da aldeia estarem descaracterizados, o centro da localidade, em especial o Largo do Pelourinho, mantém a traça original.
Por: Francisco Pinto
Fonte e fotos: Jornal do Nordeste
Fonte e fotos: Jornal do Nordeste
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Dia Nacional dos Castelos
A propósito da comemoração do Dia Nacional dos Castelos, a revista País Positivo foi à descoberta de alguns dos mais emblemáticos castelos portugueses. Nesta viagem pelo nosso país deparamo-nos com o Castelo de Algoso, no concelho de Vimioso.
Comentário por José Baptista Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Vimioso
Qual a importância do Castelo de Algoso para o concelho?
O Castelo de Algoso, que constitui um ex-líbris do concelho, assume-se como um pólo dinamizador no plano cultural, social e económico. Conscientes dessa tripla importância, temos direccionado toda a atenção para a preservação e promoção do Castelo integrado no conjunto de todo o concelho. Concretamente, em parceria com o antigo IPPAR e IGESPAR, hoje Direcção de Cultura do Norte, procedeu-se a várias intervenções. Destaco a abertura do Centro de Acolhimento localizado no Largo do Pelourinho, também ele alvo de recente requalificação urbanística, bem como a do acesso ao Castelo. Estamos muito confiantes que todo este esforço contribuirá para a atracção de turistas e, por conseguinte, a criação de postos de trabalho (hoje já está criado o da técnica do Centro de Acolhimento), não só em Algoso mas em todo o concelho, com a consequente dinamização económica que daí resulta.
Além disso, preservamos o património que é uma marca identitária do concelho, em geral, e de Algoso em particular, freguesia com vários pólos de interesse cultural. Diria mesmo que homenageamos os que nos antecederam e projectamos o futuro daqueles que cá vivem e das futuras gerações.
O Castelo em si, e lá do alto, o que dele podemos observar é simplesmente deslumbrante. Convido todos a visitarem o Castelo e o nosso concelho.
Entrevista a Paulo Amaral, técnico do IGESPAR
Sendo o Castelo de Algoso a imagem de marca do município de Vimioso, qual a importância histórica e patrimonial do mesmo para a comunidade envolvente?
O Castelo de Algoso é um dos mais emblemáticos castelos do Nordeste Transmontano, em boa parte devido ao seu posicionamento alcantilado sobre o vale encaixado do Rio Angueira que lhe confere um enquadramento paisagístico ímpar, num ambiente marcado pela sua impressionante carga cenográfica.
Tendo sido construído em meados do séc. XII, durante o reinado de D. Sancho I, constituiu, na época, o centro político-militar de grande parte do Nordeste Transmontano, constituindo uma peça fundamental na afirmação do poder régio do reino de Portugal face às pretensões do Reino de Leão sobre esta área geográfica. Em 1224 o castelo foi doado por D. Sancho II aos cavaleiros hospitalários, tendo posteriormente assumido a condição de sede da Comenda da Ordem de S. João do Hospital, tutelando o vasto domínio que aquela ordem militar possuía na área transmontana.
Como caracteriza o trabalho realizado em prol da preservação deste marco histórico, realçando o papel do mesmo como um pólo de dinamização socioeconómica para Vimioso?
O projecto de estudo e valorização realizado no Castelo de Algoso entre 1999 e 2008, com intervenções em parceria entre o Ministério da Cultura e a Câmara Municipal de Vimioso, permitiu promover as virtualidades intrínsecas de um imóvel com as características deste Castelo, seja pela possibilidade de, localmente, se integrar num pequeno roteiro de monumentos civis e religiosos localizados na envolvente imediata do território da freguesia e na área da Comenda de Algoso (Vimioso, Mogadouro e Miranda do Douro), bem como, em temos regionais, se articular com a rede de castelos que o Ministério da Cultura intervencionou na última década nesta zona raiana do leste transmontano. Nesta perspectiva, a recuperação e valorização de elementos patrimoniais deverá constituir uma das molas do desenvolvimento sustentado de uma área periférica e das mais deprimidas, em termos sócio-económicos, do distrito de Bragança, cuja oferta de recursos endógenos é particularmente limitada, mas que pela potencialização do binómio património / turismo se possam propiciar as condições necessárias à inversão deste quadro.
Relativamente ao centro de acolhimento do Castelo de Algoso, como define a missão e importância do mesmo?
A instalação de Centro de Acolhimento visa o desenvolvimento de um programa que, articulando este equipamento com o espaço do próprio Castelo de Algoso, possibilite a fruição do monumento de uma forma mais abrangente que não se restrinja à mera observação passiva da massa construída. Será com recurso à formatação da informação através de uma linguagem museográfica, assim como a disponibilização de material de apoio aos visitantes, sob a forma de um prospecto divulgativo, que se pretende imprimir uma nova dinâmica a um Castelo que, para além da sua imponência arquitectónica, se pretende vivo e capaz de transmitir algo de si aos visitantes que a ele afluem. Deste modo, o Centro de Acolhimento possibilita promover os instrumentos lúdicos e pedagógicos que permitam uma melhor compreensão da dinâmica de um tipo de sítio com as particularidades do Castelo de Algoso - correspondendo a um centro administrativo e respectivo aglomerado urbano adjacente -, localizado numa difícil e agreste zona de fronteira que se revelou de particular dificuldade no seu processo de povoamento.
Tendo como ponto central o Castelo de Algoso, refira quais são as actividades e eventos culturais delineadas pela Direcção Regional de Cultura do Norte, realçando em particular o que se encontra previsto para o dia 7 de Outubro, data em que se comemora o Dia Nacional do Castelo.
Tendo sido efectuada a abertura ao público do Castelo de Algoso e do Centro de Acolhimento no passado mês de Julho, está a ser delineado um programa de actividades que, para além da visita livre ao castelo, disponibilize aos diferentes tipo de público-alvo – população estudantil, populações locais e turistas – um conjunto de iniciativas que permita, ao longo de todo o ano, uma vivência o mais regular possível deste imóvel, nas quais obviamente se incluem as comemoração de datas marcantes para o monumento, nomeadamente o Dia Nacional dos Castelos (7 de Outubro) e o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios (18 de Abril). Para o próximo Dia Nacional dos Castelos estão programadas visitas guiadas com alunos do Agrupamento de Escolas de Vimioso e do Agrupamento de Escolas de Mogadouro, articulando o Castelo de Algoso com os vizinhos Castelo de Penas Róias (Mogadouro) e Castelo de Mogadouro.
Retirado de pais positivo.
29-Set-2010
29-Set-2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)



