quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A Moura do Algoso

A Moura do Algoso


Terras trasmontanas, onde o chão, para melhor subir nas alturas do ceo, se ondeia, revolve, enovella em montes, até dar o salto mortal para as serranias enormes: ahi fica a villa do Algoso.
Está em terras de Vimioso, que a voz do povo reune a Miranda-do-Douro, cantando e rindo de troça:

Caçarelhas já foi villa,
Miranda nobre cidade,
Vimioso ladroeira,
Como toda a gente sabe.

Era o Algoso velha alcaidaria-mór da comarca de Miranda, enterrada entre as Serras de Bornes e Nogueira a todo o Poente, e as Serras de Roboredo e Cimas-de-Mogadouro para Sul e Nascente. Vê-se como será movediço este chão, que liga as duas imponentes linhas de alturas rochosas e agrestes. Correm entre estes macissos dois rios, o Mação que vae desaguar no Sabor, e o Angueira que abaixo do Algoso se mette no Mação.
Lá para cima é Bragança, no seu throno lendario que domina todo o districto; ao Nascente é a antiga cidade de Miranda, honesta e humilde na sua decrepitude sympathica de mumia. E’ rude o povo quando lhe diz: — Se fôres a Miranda, vê a Sé e anda.

*

Sobem montes, descem precipicios, sobem outros montes mais altos, e nas covas, sobranceiro ás alturas, esteve outrora o castello do Algoso. Para descer e ir a terras vizinhas, é longe. Tudo é longe, mau andar naquellas serras frias.

Quem quiser vêr mau caminho,
Vá de Soutello a Montezinho.

Quem quiser saber o que as legoas são,
Vá de Iseda a Santulhão.

Lá no fundo fervem, no cachão branco da espuma, as aguas geladas do Angueira, no qual vão banhar as raizes os pinhaes, que descem lentamente, cobrindo-os por completo, os montes vizinhos.

*

Havia no Algoso uma fonte ao pé de um rosal. Era simples. Uma fontezinha aldeã: da pedra do monte brotava e corria, cantante, a agua; do sulco, por onde ella descia como varinha de crystal a torcer-se, cahia num tanque pequeno de pedra, cavado rudemente por qualquer artifice da aldeia; aos lados, moutas de roseiras aromatizavam deliciosamente o recanto.
Chamavam-lhe a Fonte de S. João, porque nessa noite, uma vez ao anno, apparecia, onde vinha pentear-se, a mais linda moura de Tras-os-Montes.

*

Diz a lenda que por alli havia, no tempo dos Mouros, um bruxo de terrivel memoria.
Acudiam todos a procurá-lo, para serem curados por elle nas doenças de que desesperavam melhoras, ou para o consultarem em assumptos de interesse. Curava doenças a uns; matava outros com os remedios; enganava os que lhe pagavam os serviços, convencidos dos poderes de bruxo. Mas o certo é que tinha fama por todos os arredores.
Desciam os povos em demanda do bruxo poderoso, desde Macedo-de-Cavalleiros, Vimioso, Mogadoro e Alfandega-da-Fé, através das montanhas cheias de neve. Quantos morriam pelo caminho minados pela doença e pelas canseiras da viagem? Outros cahiamnos precipicios. Havia luctas tremendas com alcateias de lobos. E no emtanto, apesar de tudo, afluia do Freixo-de-Espada-á-Cinta, da Torre-de-Moncorvo, de Villa-Flor, de Mirandella, de Bragança. De mais longe, de Vinhaes, Valle-Passos, Murça, Carrazeda, e mais e mais.
Era uma romaria no Algoso. E o bruxo orgulhava-se da clientella. Procuravam-no pobres e ricos; e na casa de pedra negra, onde os recebia, entravam os estofos luxuosos e os pannos grosseiros. A todos elle egualava deante das suas artes magicas, porque a egualdade adoptada por elle era a do dinheiro. Todos que pagavam, seriam servidos.
Creou fama de rico e devéras o deve ter sido. O ouro corria a jorros para os arcazes de embutido.

*

Os Christãos, fortes já na sua audacia pelo numero e sobre tudo pela fé, desceram das montanhas do Norte da Peninsula e vieram de roldão por ahi abaixo contra os Mouros. O Algoso resistiu mas teve de render-se, e o bruxo desappareceu.
Quando viu tudo perdido, o bruxo não quis que os seus thesouros cahissem nas mãos dos vencedores. Tratou de os esconder. Para mais, elle não podia convencer-se do grande praso de ausencia os Mouros voltariam mais dia menos dia, e elle de novo se apossava das riquezas escondidas.
Só lhe faltava escolher o logar do esconderijo, e a unica difficuldade, se a havia, era escolher um entre tantos; mais custoso seria o trabalho de encontrar guarda para elle.
Correndo os olhos pelo contorno do castello, deu com a Fonte de S. João. Era bom sitio para se não perder, e não ficava longe. Foi-se lá com o melhor dos thesouros, que não podia transportar consigo na fuga pelos montes e precipicios. Cavou e metteu na cova o cofre de marfim, chapeado de cobre, onde guardou as joias e o ouro.
Ao voltar para casa, deu com uma rapariga, que ia á fonte, com uma cantarinha de asa esbelta. Receou que ella o tivesse visto guardar o cofre no rosal á beira da fonte, e o denunciasse. Só tinha um remedio salvador; era encantá-la. Além de se assegurar assim contra a possivel e temida denuncia, obteria de esta forma a guarda do thesouro, guarda fiel, que nada diria e a ninguem se denunciaria.
Estas duas circunstancias resolveram-no. Caminhou para a rapariga, e dizendo certa oração mysteriosa, de elle bem conhecida, fez-lhe sobre a cabeça alguns signaes cabalisticos. A rapariga desappareceu como se tivesse entrado pelo chão, e a cantarinha de barro, cahindo no solo, desfez-se em mil pedaços. Deu o bruxo uma gargalhada infernal e foi-se ao castello.
Quando os Christãos entraram no Algoso, não havia noticias do bruxo. Com a ingratidão do costume, e com o odio dos beneficiados aos autores dos beneficios, corno é dos livros e de todos os tempos, os povos das vizinhanças, que primeiro se serviram do bruxo e a elle iam pedir auxilio por caminhos difficilimos e perigosos, cahiram em massa no Algoso, para lhe assaltarem a casa e roubarem os thesouros. Já o não receavam, nem de nada lhes servia. Mas não encontram mais que a casa de pedra negra e o porco mobiliario bem conhecido de elles, afinal.

*

Que encanto déra o bruxo á rapariga do Algoso? preguntar-se-ha.
Quando lhe pôs as mãos na cabeça e lhe traçou sobre ella os signaes cabalisticos, a rapariga transformou-se immediatamente em uma grande cobra. Correu por entre o matto, em que se embrenhou, e foi para o rosal: ahi ficaria até volta do bruxo, a guardar os thesouros.
A’ volta da fonte, erguiam-se copados ulmeiros que formavam ao rosal a mais bella sombra. Por ahi vivia na sua miseria a pobre menina feita cobra. Só uma vez por anno retornava as formas humanas. Dizia-se que era linda como os amores. Alguem a tinha visto de longe, na noite de S. João vestida de branco, na sombra dos ulmeiros, como nuvemzita de neve a subir na madrugada, serenamente.

II

Andava accesa na villa a fama da moura da Fonte de S. João. Approximava-se a festa do Santo e estavam lindas de côr e fragrancia as rosas do tanque.
Um rapaz apaixonou-se pelo mysterio da pobrezita, enclausurada na sombra um anno inteiro. A noticia da sua belleza, dos vestidos brancos, e dizia que cantava como os Anjos nessa madrugada festiva, encheram-no de ansiedade.
— Hei-de vêr a moura da Fonte, — disse elle um dia, resolvendo tentar vê-la e fallar-lhe.
— Ela foge, assim que vê alguem, — informou a velha mais velha do Algoso, ao saber da decisão do rapaz.

*

Vespera de S. João. Luz no céo, fogueiras na terra. Por felicidade a noite era clara. Cantava-se na villa. Os foliões saltavam aos ranchos nas praças e quintaes, através das labaredas crepitantes das fogueiras em honra do Santo festejado.
O rapaz, quando anoiteceu, dirigiu se á Fonte. Atrás de si as cantigas faziam-lhe inveja, quereria voltar á villa, mas a vontade era maior na direcção de conseguir vêr a moura e fallar-lhe.
— Aqui não consigo nada, — pensou elle para si, ao chegar ao tanque; — a moura, mal se visse, desapparecia, e eu ficava a vêr navios.
Procurou um logar, fronteiro ao tanque, de onde podesse ver, sem logo ser visto. Estava a dez metros, debaixo de um olmo grande que o encobria do lado da fonte. Sentou-se no chão, encostado á arvore, e aguardou. Na villa os ranchos cantavam alegres, e os cantos de todos elles reuniam-se em um canto só, enorme, confuso, como cantochão num pinhal.

*

O ar ia refrescando. A atmosphera adelgaçava se, crescia, abobadava-se em luz. Pousava na terra um véo de claridades suaves. Na sineta do campanario repenicava a hora do banho santo. Pareciam vêr-se no ar as ondulações das badaladas.
De ouvido apurado, o rapaz não perdia de vista a fonte. Era á meia-noite que a moura devia de apparecer. Por isso, ao ouvir a sineta da villa, commoveu-se da sensação extraordinaria e desconhecida, que lhe embalava no vacuo os pensamentos e o corpo.
De repente ouve um restolhar no rosal. Grande cobra, uma serpente assustadora, desembocou do mattagal e, subindo ao bordo do tanque, atirou-se á agua. Chapinhou dentro da agua aquelle corpo negro e asqueroso. Três vezes mergulhou com ruido na agua. E os olhos esgazeados do rapaz viram cheios de espanto que a serpente se transformava em mulher.
— A moura! — e a vai ficou-lhe collada á garganta.
A moura sahia lentamente da agua, espannejando-se com alegria infantil de creança, que sahe do banho. Quando estava inteiramente de pé, elle viu-a vestida de urna tunica branca. Firmava os olhos, para se convencer bem de que era a moura, que via alli de pé, deante de si, pois mais lhe parecia pedaço de nevoeiro a fugir das aguas do tanque para as copas amigas dos ulmeiros.
A folhagem cerrada do arvoredo cobria com docel de penumbra a brancura alvejante da moura. As rosas ao lado, no rosal, não eram mais brancas naquella claridade baça.
O rapaz seguia-a attentamente com os olhos. Viu-a depôr na beira do tanque as escamas metallicas da pelle de cobra. Depois a moura saltou para o chão, estouvada e em azougue como collegial em ferias; os cabelos de ouro, que brilhavam em tranças grossas, cahiam-lhe pelas costas ou pousavam no hombro as madeixas macissas. Sentou-se na beira do tanque e espalhava os cabellos. Foi como se uma chuva de estrellas cahisse nella! Os hombros, o peito, a cabeça gentil, resplandeciam. Aquelle recanto sombreado transformava-se em um tabernaculo. Corria o pente de ouro nos cabellos de filigrana, lavrava-os com os dentes macios, cardava o linho de ouro para o precioso tecido com que enfeitava a cabecita.
Ia fallar-lhe o rapaz. Mas a moura principiou a cantar. A voz prendeu-o ao chão, e elle calou-se.
Deante da menina saltitou uma corça branca. Beijava-lhe os pés, corria de um canto a outro voltava a afagar-lhe os pés, calçados em babuchas de damasco azul, com bordados que brilhavam. Se alguma folha cahia, ou algum estalido mais rijo cortava o silencio circundante, logo a corça firmava as patitas elegantes e perscrutava os arredores com olhos vivos e orelhas arrebitadas.
Continuava a moura a pentear-se e a cantar. A sua voz, leve como haste de açucena, erguia-se na limpidez crystallina da madrugada; tinha doçuras e convites de campanario longínquo pelas quebradas. De vez em quando afagava com a mão meudinha a corça que lhe lambia as babuchas de damasco, pendentes da ponta dos pés.
A agua, correndo da pedra da nascente para o tanque, era a unica harmonia que acentuava o canto delicioso.

*

Ao longe ouvia-se ainda na villa o côro do banho santo. E a pouco e pouco iam adormecendo os echos. Até que, por fim, nada mais dava signal de vida, fóra do pequeno terreno onde esta scena se passava.

*

Quando acabou de se pentear, o que fez com todo o descanso de quem não tem pressa, duas tranças cahiam-lhe sobre os hombros. Emmolduravam-lhe o rosto, como essas columnazinhas que formam os nichos da Virgem. Deus nos perdoe a lembrança, mas aquella menina, moura sim, era martyr virginal, que a maldade do bruxo para alli tinha encantada sem culpa. Depois de se pôr de pé, inclinou-se para o tanque, onde a agua formava o unico espelho de que ella dispunha. Debruçou-se nas aguas. Decerto viu reflectir-se toda a belleza, que em breves momentos voltaria a esconder-se nas escamas metallicas da pelle de serpente hedionda, que a esperava. Chorou. As lagrimas corriam em fio, e soluçava. O corpo gentil agitava-se em convulsões.
Ergueu-se. Levantou as mãos como numa prece ao céo. O perfil esguiava-se naquelle vestido branco; torcia os braços nús, brancos como nevoa, e, que como nevoa pareciam subir e contorcer-se no ar.

*

Condoído, o rapaz quis então fallar-lhe e consolá-la, para o que julgou asado o momento. Não se lembrou do seu interesse. E’ verdade que elle estava ali movido mais pela curiosidade ansiosa de vêr a moura, aquella moura ali na sua frente, do que pela ideia de tirar partido interesseiro do encontro.
Diz-se que, se alguem visse a moura, nas horas para dia felizes, em que tinha forma humana, de ella conseguiria três coisas que lhe pedisse.
Não se lembrou de tal o rapaz. Penalizado pela mágoa da moura, que chorava e se lamentava, teve tentações de lhe fallar e consolar-lhe as afflicções com palavras amigas e de sympathia.
Lá estava dia de pé, á beira do tanque; as mãos, descendo do alto, vieram limpar-lhe os olhos, onde as lagrimas brilhavam como diamantes accesos. E’ o cabello de ouro coroava, aquella figura branca de açucena, com um véo luminoso.

*

Ia cantar. Sahiram-lhe da garganta as primeiras palavras de um canto de lagrimas. Que lamentações ergueria então aquelia alma? Àpproximava-se a hora de alva e ella ia desapparecer em breve.
O rapaz ergueu-se. As folhas e o matto rangeram-lhe debaixo dos pés; estalaram as hastes das hervas debaixo das mãos, em que elle se apoiava para se levantar.
A corça estacou de orelhas hirtas e pernas nervosas. A moura deteve-se. E tão depressa elle sahiu detrás da arvore, a corça fugiu com um grito e embrenhou-se no matto. O grito assustou-o e ficou a echoar-lhe no fundo dos ouvidos, com a apprehensão a apertar-lhe as fontes, comprimindo-lhe o coração com susto.
Olhou; a moura desapparecêra. Ouvia ainda o restolhar da corça no matto. A agua do tanque estava agitada, e uma nevoa, dir-se-hia de incenso, evolava-se do tanque, subindo a direito e perdendo-se nas copas dos ulmeiros.
Só as rosas do rosal estavam brancas e perfumadas como antes. E lá em baixo o Angueira batia contra os rochedos, zangado de o não deixarem passar á vontade.

FonteCHAVES, Luis, Lendas de Portugal: Contos de Mouras Encantadas, Lisboa, Livraria Universal, 1924 , p.147-160

Local Algoso, VIMIOSO, BRAGANÇA

Narrativa

Quando Séc. XX, 20s

CrençaInseguro/ N empenhado

Lenda da Fonte Santa

Lenda da Fonte Santa


Algoso tem muitas capelas. Entre elas destaca-se a capela de S. João Baptista, cuja festa se celebra no dia vinte e quatro de Junho, santo muito venerado nesta povoação. Esta capela é muito bonita e está situada numa das saídas da povoação.
Debaixo do altar sai uma nascente que dá origem à Fonte Santa, pegada à capela. A dita fonte é toda em granito, com um pátio e bancos em volta para as pessoas se sentarem. A água desta fonte não é boa para beber, pois não tem bom sabor, mas é boa para curar males de pele.
Diz-se que noutros tempos passavam por aqui muitos peregrinos, pois este sítio era considerado caminho das rotas de Santiago de Compostela. Ora, como os peregrinos chegavam com os pés doridos, iam lavá-los à Fonte Santa. Eles aproveitavam este local não só para curar as chagas, mas também para descansar.
Esta fonte e esta capela são muito antigas e as suas origens perdem-se no tempo. Uma velha lenda preza também que à “Cabeça Santa”, assim é chamada pela gente da aldeia a imagem de S. João Baptista, lhe crescia a barba sendo necessário aparar-lha. Tudo isso se transmitiu de geração em geração até aos dias de hoje, a prová-lo está a devoção dos habitantes de Algoso ao referido santo.

FonteROSÁRIO, Serafim do, Terras de Vimioso: Retalhos de Literatura Oral, [Vimioso], sem editora, s/d , p.109

Local Algoso, VIMIOSO, BRAGANÇA

ColectorAlfredo Cordeiro (M)

Narrativa

Quando Séc. XX, 90s

CrençaInseguro/ N empenhado

Lenda do Crocodilo

Lenda do Crocodilo


Era uma vez um lavrador que vivia na antiga vila de Algoso. Esse lavrador tinha um filho ainda bebé e umas terras junto ao castelo. Um dia foi lavrar as suas terras levando o filho consigo e deixando-o abrigado debaixo de uma fraga enquanto lavrava. Acabou de lavrar e foi buscar o filho, mas no lugar do filho estava um monstruoso crocodilo.
Muito aflito, o lavrador fez então uma promessa a Nossa Senhora do Castelo: se o filho saísse vivo da barriga do crocodilo, ele iria erguer ali uma capela em honra de Nossa Senhora. Pôs-se em cima do crocodilo e saltando em cima dele com toda a força que tinha e batendo-lhe com a aguilhada obrigou-o a vomitar o seu filho vivo. Finalmente matou o monstruoso animal.
Em agradecimento à Senhora, construiu então uma grandiosa capela. Ela ainda hoje está em pé, firme e bonita, e como prova do milagre, dentro da mesma lá se encontra a pele do crocodilo.

FonteROSÁRIO, Serafim do, Terras de Vimioso: Retalhos de Literatura Oral, [Vimioso], sem editora, s/d , p.108

Local Algoso, VIMIOSO, BRAGANÇA

ColectorNelson Brinço (M)
Narrativa

Quando Séc. XX, 90s

CrençaInseguro/ N empenhado

O Saca - Unhas

O Saca - Unhas


Era uma vez, há muito, muito tempo!... Na vila de Algoso, os meninos só queriam subir para a torre da igreja, pois, esta estava sempre com a porta aberta. Então, as pessoas da povoação inventaram uma história para eles não subirem à torre. Esta história dizia que a meio da torre havia uma casa pequenina e aí, num buraco vivia um bicho muito feio, chamado Saca-Unhas, pois, sacava as unhas às pessoas.
Algumas crianças acreditavam mesmo nisso e deixavam de subir à torre, porém, outros não acreditavam e continuavam a subir como dantes.
Esta história foi passando de geração em geração e ainda hoje se conta em Algoso, embora as crianças já não acreditem nessas fantasias.

FonteROSÁRIO, Serafim do, Terras de Vimioso: Retalhos de Literatura Oral, [Vimioso], sem editora, s/d , p.57

Local Algoso, VIMIOSO, BRAGANÇA

ColectorSergio Granado Fernandes (M)

Narrativa

Quando Séc. XXI,

CrençaInseguro/ N empenhado

Comércio em Algoso

En Algoso aparecen «barquetas»1 castellanas que utilizan los de Castilla para llevar, entre otras cosas, trigo portugués a sus molinos.2



1. «As parcas referencias sobre estes barquetes não permitem identificar se é um medio de transporte que se lança na água ou elevado sobre a água». 1. Vaz de FREITAS, «Linhas de comércio entre Portugal e Castelo nos finais da Idade Média», p. 89

2. Demarcações de fronteira. Lugares de Trás-os-Montes e de Erntre-Douro-e-Minho, p.41


Val Valdivieso, María Isabel del; Villanueva Zubizarreta, Olatz (2008), “Musulmanes y cristianos frente al agua en las ciudades medievales”. Acedido a 17 de Fevereiro de 2011, http://books.google.pt/books?id=9-8i_Ao_eW8C&pg=PA263&dq=Castelo+de+Algoso&hl=pt-pt&ei=eA5dTZW1GYnIhAfwgYGrCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=8&ved=0CEUQ6AEwBzgU#v=onepage&q=Castelo%20de%20Algoso&f=false

Cristão novos em passagem pelo castelo de Algoso

O castelo de Algoso recebeu alguns dos cristãos-novos, destinados à lnquisição de Évora. A sua estada aqui e a viagem para esta cidade, sob chuva, foi terrível, acompanhada pela fome.


Costa, Sá da (1969), Revista de história económica e social, Edições 19-21. Acedido a 17 de Fevereiro de 2011, http://books.google.pt/books?id=_1TmAAAAIAAJ&q=Castelo+de+Algoso&dq=Castelo+de+Algoso&hl=pt-pt&ei=_gtdTYCrFYexhAeBqbGqCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=6&ved=0CDgQ6AEwBTgK

Quadra popular

Adeus, castelo de Algoso, Sobre a ribeira de Angueira;
O castelo não é nada Sem a sua companheira.


Extracto retirado da Revista Portuguesa Mensal: Ocidente, Volume 70,Edições 333-338. Acedido a 17 de Fevereiro de 2011, http://books.google.pt/books?id=BARYAAAAIAAJ&q=Castelo+de+Algoso&dq=Castelo+de+Algoso&hl=pt-pt&ei=_gtdTYCrFYexhAeBqbGqCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=5&ved=0CDUQ6AEwBDgK






Quadra sobre Algoso e seu castelo


Adeus, adeus ó Algoso, Tens castelo e pelourico;
Eu já não falo contigo, Com a vontade me fico.



Extracto retirado da Revista Portuguesa Mensal: Ocidente, Volume 70,Edições 333-338. Acedido a 17 de Fevereiro de 2011, http://books.google.pt/books?ei=bPpcTYGkEdeqhAfmvuipCA&ct=result&hl=pt-pt&id=wd4ZAAAAMAAJ&dq=Castelo+de+Algoso&q=Castelo+de+Algoso#search_anchor




Desertificação de Algoso a partir de meádos do Séc. XIV



Apesar de apenas registado em fundo através da vista Oeste do castelo de Mogadouro, o castelo de Algoso consta do Livro das Fortalezas, pelo que não oferece qualquer dúvida a sua existencia física no espaço fronteiriço transmontano mas, como afirma Gomes (2003, p. 145), “A localidade medieval que correspondia a esta comenda manifestou uma tendência a desertificação a partir do século XIV”. Este castelo, sede de uma comenda dos Hospitalários desde o séc. XIII, remonta ao séc. XII e caracteriza-se por uma torre de menagem heptagonal que assenta de forma directa sobre um afloramento rochoso, apresentando várias fenestrações, uma delas munida de um balcão com matacães cobrindo a entrada do recinto, o que indicia uma utilização simultaneamente militar e residencial, como se pode comprovar pela leitura das Actas de Numeramento dos moradores de Trás-os-Montes de 1530, a que Gomes (2003, p. 148) igualmente faz alusão através de Anselmo Braamcamp Freire (1909, p. 264):


“A villa d'Algoso tem hu castello, onde nam vyve senam o alcaide (...)”


Correia, Luís Miguel (2010), "Castelos em Portugal. Retrato do seu perfil arquitectónico (1509-1949) ". Acedido a 17 de Fevereiro de 2011, http://books.google.pt/books?id=NvrKKADg2M4C&pg=PA95&dq=Castelo+de+Algoso&hl=pt-pt&ei=bPpcTYGkEdeqhAfmvuipCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=4&ved=0CC8Q6AEwAw#v=onepage&q=Algoso&f=false



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Da origem e estabelecimento da inquisição em Portugal (Algoso)


Um dos mais incansaveis Nembroths, dos mais rudes caçadores de homens, que a Inquisição teve nos primeiros tempos de sua existencia, foi um certo Francisco Gil. Este miseravel tinha começado a carreira dos seus crimes pelo assassinio do genro de um mercador honrado de Lisboa, assassinio perpetrado publicamente no meio da Rua-nova2.

Revestido do cargo de sollicitador do tribunal da fé, Francisco Gil foi enviado pelas provincias a descubrir os sectarios occultos do judaismo. A empreza podia ser odiosa; mas não era nem arriscada nem difficil. O activo agente achou logo um melhodo efficaz e simples de obter avultada colheita. Chegando a qualquer logar onde residissem christaos-novos, mandava annunciar que em tal igreja se havia de fazer uma festa e procissão solemne. Corria o povo ao templo no dia assignalado. Então elle mandava fechar as portas e em nome da Inquisição intimava aos fiéis, debaixo das mais terriveis excommunhões, que, se no meio delles estavam alguns judeus occultos, os bons christãos lh'os indicassem1. Então os desgraçados reprobos do povo eram mandados pôr á parte, e d'alli conduzidos para a cadeia á ordem dos Inquisidores.

No seu gyro o implacavel commissario chegou a Miranda do Douro, e esse districto pa

l «quod quaecumque persona ibi cognoverit christianum novutn, ostendat illum:" (Ibid. fol. 312.) E evidentemente uma exaggeração de phrase. Gil não podia exigir que lhe indicassem os christaos-novos para os prender, mas sim os christãos-novos suspeitos de judaismo. É provavel, todavia, que em muitas partes o fanatismo tornasse synonimas as duas expressões.


Foram presos naquella villa onze individuos de ambos os sexos. Cada um delles devia , pagar-lhe quatorze mil reaes, somma que o sollicitador da Inquisição calculava ser necessaria para se transportarem ao logar em que, segundo as ordens do infante inquisidor-geral, deviam ser retidos.


Intimados judicialmente para apromptarem o dinheiro, resistiram todos, menos um pobre velho que jazia gravemente enfermo. Mandaram-se então inventariar e pôr em almoeda os bens dos réus, e estes foram removidos do castello de Miranda para o de Algoso, situado n'um ermo a meia legua da povoação deste nome. Gaspar Rodrigues, o velho enfermo, fôra ahi arrematante das rendas reaes.


O povo tinha-lhe má vontade, e os christãosnovos diziam que esta mudança era calculada para accender mais contra elle e contra os seus companheiros de infortunio a sanha popular. No castello de Miranda, construcção solida cingida por cinco torres alterosas, os simples ferrolhos dos alçapões do carcere respondiam pela segurança dos presos: no de Algoso, ruina de antiga fortificação, e longe do povoado, cumpria collocar guardas que obstassem a qualquer tentativa interna ou externa de evasão.


As tropas concelheiras, unicas que então havia, foram chamadas para aquelle serviço, e os factos vieram confirmar as previsões da gente da nação. As injurias das sentinellas ferviam sobre os encarcerados, e os camponezes mostravam para com Gaspar Rodrigues a mesma dureza de coração, que provavelmente elle lhes mostrára como exactor de tributos. A sua vingança estendia-se, porém, aos innocentes. Só a peso de ouro obtinham os presos os objectos mais necessarios á vida, o lume, a agua, os alimentos. Certo dia os guardas accenderam em frente da prisão uma grande fogueira e lançaram dentro um cão que ficou reduzido a cinzas. Era, diziam elles, o que haviam de fazer aos judeus que guardavam, antes que d'alli saissem. Entre estes havia uma Isabel Fernandes, mulher abastada, a quem Francisco Gil e o seu meirinho Pedro Borges tinham extorquido cem mil réis a pretexto de despezas de transito. Sem cama, sem uma camisa para mudar, a desgraçada chorava noite e dia. O esbirro offereceu-lhe então, não só confortos, mas até a liberdade se quizesse perfilhá-lo. Recusou. Redobraram os maus-tractos e carregaram-na de cadeias.

Vencida pela miseria e pela amargura a infeliz endoudeceu. Aos presos, que não lhe davam qualquer objecto que lhes pedia, trocava o malvado os grilhões por outros mais pesados, ou fazia-os descer a um logar profundo e humido, onde os deixava mettidos na agua. Gaspar Rodrigues, ferido já pelos ferros, leso de uma perna e a bem dizer semimorto, passou por ambos os martyrios. Francisco Gil accrescentava a estas barbaridades do seu meirinho uma singular extorsão: quando se lançavam ou augmentavam os grilhões aos presos, fazia-lhes pagar o custo delles. As pessoas que se dirigiam ao castello de Algoso para falar ás victimas, se acaso se demoravam mais tempo do que o permittido, impunha-lhes a multa de vinte mil reaes, e mandava-as expulsar d'alli, quando não as encarcerava1. Acaso as suas instrucções eram estas, e talvez a multa, fixada de antemão pelos inquisidores, não revertesse em seu beneficio. Fosse o que fosse, o que succedia era que ás vezes, a troco de alguns cruzados de peita, os colhidos na rede remiam a prisão e a multa. O espirito, porém, de violencia e de rapina dos dous agentes da Inquisição era tal, que elles proprios se tornavam ás vezes instrumentos indirectos da vingança das suas victimas.

1 O documento que seguimos diz que Francisco Gil multava quem vinha a Algoso, e que lhe impunha a pena de desterro: é evidente que estas expressões sío exaggeradas.

A rustica milicia da comarca de Miranda não desfructava gratuitamente o prazer de affrontar os presos de Algoso. Os lavradores tinham não só de velar o Castello, mas também de fazer roidas e vélas, ora num ora n'outro logar. Os indiciados de judaismo não se reduziam aos onze martyres transferidos para Algoso. As listas de réus eram extensas; as capturas multiplicavam-se; e os habitantes de qualquer aldeia que não iam dormir juncto do meirinho e dos outros esbirros, quando ahi chegavam com algum preso, eram severamente multados.


Herculano, Alexandre (1859), " Da origem e estabelecimento da inquisição em Portugal: Tentativa historica, Volume 3 (Google eBook)". Acedido a 2 de Fevereiro de 2011, http://books.google.pt/books?id=umwNAAAAYAAJ&pg=PA125&dq=Algoso&hl=pt-pt&output=text#c_top

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Romanceiro da Província de Trás-os-Montes (distrito de Bragança)

Cantado por Clementina da Assunção Afonso, de 47 anos de idade. Algoso (c. de Vimioso),n 31 de Julho de 1980


Juntaram-se as três comadres numa rua todas três;

uma dava o trigo, o vinho, e um cabrito dum mês.

Uma olhava pera a lua: - Oh que queijinho francês!

Estando elas nesta dança, chega o marido da Inês.

Palo numa, palo noutra, palo em todas as três.


Nota: Canta-se sarandilha entre os hemistíquios e sarandilh'andando, sarandilho és entre os versos.


Fontes, Manuel da Costa; Fontes, Maria-João Câmara (1987), " Romanceiro da Província de Trás-os-Montes (distrito de Bragança), Volume 1". Acedido a 30 de Janeiro de 2011, http://books.google.com/books?id=ylMixz_LcREC&pg=PA695&dq=Algoso&hl=pt-br&ei=MphFTevCKMbzsgbn6Yy7Dg&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=5&ved=0CDkQ6AEwBDgK#v=onepage&q=Algoso&f=false

domingo, 30 de janeiro de 2011

Romanceiro da Província de Trás-os-Montes

Recitada por Clementina da Ascensão Afonso, de 47 anos de idade, Algoso (c. de Vimioso), 31 de Julho de 1980


Alta vai a lua, i-alta mais que o sol ao meio-dia;

mais alta ia a Senhora quando p'ra Belém ia.

S. José ia atrás dela cantando a avé-maria.

S. José foi buscar lume porque a noite estava fria;

quando S. José voltou já a Virgem estava parida.

Os anjos perguntaram como ficou Maria.

- Maria ficou bem, na sua céldora metida.



Fontes, Manuel da Costa; Fontes, Maria-João Câmara (1987), " Romanceiro da Província de Trás-os-Montes (distrito de Bragança), Volume 1". Acedido a 30 de Janeiro de 2011, http://books.google.com/books?id=ylMixz_LcREC&pg=PA695&dq=Algoso&hl=pt-br&ei=MphFTevCKMbzsgbn6Yy7Dg&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=5&ved=0CDkQ6AEwBDgK#v=onepage&q=Algoso&f=false



quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Rota dos castelos e igrejas

Nesta época em que o tempo anda farrusco, que tal um passeio num destes fins-de-semana por uma rota de castelos e igrejas do interior norte do país? Bora lá!

Miguel Rodrigues, da Direcção Regional da Cultura do Norte, é o nosso guia neste roteiro de algumas centenas de quilómetros, mas que valem bem a pena.

A sugestão é começar pelos castelos de origem medieval ao longo da raia nordestina, até pela importância que tiveram na "fixação e protecção das populações junto à fronteira".

Em Freixo de Espada à Cinta existe um centro histórico "muito bem conservado, que tem uma igreja manuelina notável e uma torre que é o que resta da antiga fortaleza".

Mogadouro é o próximo passo, pois conta com a ruína de um castelo que pertenceu à Ordem do Templo. Muito próximo encontra-se o Castelo de Penas Róias que permite "uma vista fantástica pelo planalto mirandês".

Continuando a subir em direcção a Bragança é o Castelo de Algoso, em Vimioso, que impõe a paragem. "De todos é talvez o mais interessante. Está situado num penedo e muito bem conservado". Na povoação existe um centro interpretativo.

Segue-se Miranda do Douro para ver a Sé e as antigas muralhas. Já ali existiu um castelo mas foi "destruído no século XVIII numa explosão resultante de uma guerra entre Portugal e Espanha".

Chegados a Bragança é imperativa uma visita à cidadela fortificada e à Domus Municipalis, "edifício de carácter românico e com utilização civil mais antigo na Península Ibérica".

Miguel Rodrigues não se esquece de sugerir também a visita a castelos e vilas amuralhadas no Douro, como é o caso da de Ansiães (Carrazeda de Ansiães) e da de Numão (Vila Nova de Foz Côa).

"São anteriores à nacionalidade, têm grandes muralhas e foram abandonadas nos séculos XVII e XVIII. No entanto ainda têm as fortificações bem conservadas e as igrejas que existiam no interior".

No planalto de Numão também chama por si o Castelo Velho, que embora tenha esta designação é um sítio arqueológico com mais cinco mil anos e que é um testemunho da fixação das primeiras pessoas naquela região, depois de abandonarem uma vida nómada.

O Castelo de Penedono e as igrejas matrizes de Torre de Moncorvo e Foz Côa são igualmente imperdíveis.

Turismo histórico a crescer

Miguel Rodrigues acredita que o número de visitas a este tipo de património tem tendência para aumentar. Mas será uma espécie de "turismo familiar", feito de carro, por famílias inteiras ou casais entre os diversos pontos.

Até porque estão em construção novas estradas que vão facilitar o acesso. Considera ainda que toda a região de Trás-os-Montes e Alto Douro é também "muito interessante" em termos paisagísticos e gastronómicos, havendo uma série de vilas que "merecem ser visitadas" por outros aspectos além do património histórico.

Pinto, Eduardo (2011), "Rota dos castelos e igrejas", 07 de Janeiro de 2004. Acedido a 27 de Janeiro de 2011, http://www.jn.pt/VivaMais/Interior.aspx?content_id=1750381&page=-1


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Fotografia aérea













Rocha, A. M. (2004), "Volta APAU 2009 - Rios e Fortalezas de Fronteira", 10 de Janeiro de 2004. Acedido em 10 de Dezembro de 2010, http://www.linhadafrente.net/modules.php?name=Forums&file=viewtopic&t=15144&start=15

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Pregão às aldeias do Concelho

Fumadores de Algoso,
Bailantes de Vale de Frades,
Curtidores de Carção,
Em Caçarelhos mocidade;

Tendeiros do Campo,
Os de Vimioso são letrados,
Bugalhudos de Santulhão,
Como toda a gente sabe.

Os gaiteiros são d'Angueira,
De Avelanoso os carvoeiros,
Os de Pinelo são boieiros,
E de
Serapicos os raticos.

Surradores de Argoselo,
De São Joanico os sapateiros,
Em Vale de Pena carvoeiros,
E de Vilar Seco os 'scrinheiros.


Autor desconhecido

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A Moura de Algoso

Algoso é uma pequena aldeia perdida nas serranias transmontanas. Diz uma lenda que ainda hoje por lá corre que, no tempo dos Mouros existia nos arredores um bruxo famoso, conhecedor de mezinhas milagrosas e sabedor do passado e do futuro. Vivia num casebre um pouco afastado da povoação, mas nem a pobreza da sua casa, nem o afastamento da mesmo obstavam a que ali acorressem quantos acreditavam nas suas capacidades mágicas ou videntes.



Na verdade, ricos e pobres, de longe ou de perto, todos ali acudiam em busca de cura para os seus males, pedindo filtros de amor ou indagando sobre o que lhes reservaria o futuro.



Em certos dias era uma autêntica romaria. E com tudo isto o bruxo criou fama e proveito de homem rico, apesar de continuar a viver no pobre casebre tentando fazer-se passar por miserável. Entretanto, os cristãos iam avançando na reconquisto de território ainda sobre a dependência dos Mouros e estavam a aproximar-se rapidamente de Algoso. Sabendo disto o bruxo, que não podia prever o seu próprio futuro, calculou que a ocupação cristã não viesse a ser muito demorada e decidiu esconder os seus tesouros, disposto a recuperá-los mais tarde, quando pudesse recuperar o seu oficio.



Assim pensando, escolheu o que poderia carregar consigo, e o restante, as jóias e o ouro, meteu-o num cofre de marfim chapeado a cobre. Feito isto, e como precisava de encontrar um bom esconderijo para a sua fortuna, partiu com o cofre debaixo do braço em demanda do melhor local.



Depois de muito procurar, achou que o melhor sitio era debaixo da fonte de S. João, debaixo das raízes de um enorme e belo chorão que derramava a sua sombra as águas. Pegou numa enxadinha e cavou um buraco apropriado ao tamanho do cofre. Meteu-o lá dentro, tapou-o com terra e disfarçou a obra com folhagem e gravetos.



Terminando o trabalho, levantou-se e olhou em volta. Espantado, viu uma mourinha que, descuidada, descia uma vereda da serra cantando uma velha canção. Convencido que a moura o vira esconder o cofre e estava agora a disfarçando o caso, o bruxo encaminhou-se para ela, olhou-a com uma estranha fixidez, fez uns sinais misteriosos e, recitando certa oração antiga, lançou sobre a menina um encantamento, de tal modo que ela desapareceu no mesmo instante. Casquinhando, esfregou as mãos, pegou nos seus haveres e desandou rapidamente para a floresta, donde nunca mais voltou. A lenda da moura de Algoso foi passando de boca em ouvido, de geração em geração.



A fonte de S. João de resto, continuava ali, lembrando a todos a desdita da mourinha encantada pelo bruxo e desafiando a coragem de quem sonhasse desencantá-la. Uma noite, muito próxima da de S. João, uma rapaz de Algoso que se apaixonara pela história sonhou que via a moura na fonte. Mal acordou, decidiu que, desse lá por onde desse, havia de tentar ver na madrugada de S. João se a lenda era verdadeira. Além disso, como corria se alguém visse a moura nas suas horas felizes lhe podia fazer três pedidos, os quais seriam atendidos, o rapaz achou que, apesar do medo, era talvez vantajoso fazer aquela tentativa. Na véspera de S. João, encaminhou-se para a fonte ainda antes de anoitecer por completo. Procurou um local para se esconder, um local de onde visse sem ser visto, e preparou-se para esperar pela meia noite sem fazer ruído algum. O velho chorão da fonte, já centenário, continuava lançando sobre a água os seus ramos lacrimejantes.



Do outro lado, havia agora um belíssimo roseiral, donde provinha um perfume intenso quando todas as rosas abriam. Chegou a meia noite. De repente o rapaz ouviu uma restolhada vinda das bandas do roseiral. Era uma enorme serpente que, rastejando, se dirigia para a fonte. Aí chegada, mergulhou três vezes. Qual não foi o espanto do moço quando viu aparecer sobre as águas uma menina: a moura da fonte e... mais bela do que tradição contava. A moura saltou com leveza da rocha para o solo e, sentando-se na borda da fonte, começou a cantar uma suave canção que o marulhar da água acompanhava, enquanto ela ia passando um pente pelos seus cabelos loiros. Subitamente, uma corça apareceu vinda da floresta e, sem mostrar qualquer receio, aproximou-se da moura, que a afagou com ternura. A corça, num gesto de agradecimento, lambeu-lhe as babuchas de damasco azul.



Era realmente um espectáculo de beleza que o rapaz jamais esperava encontrar, E, acocorado no seu canto, esqueceu os três pedidos que queria fazer, esqueceu tudo, esqueceu-se até de si mesmo, até que, bruscamente, a moura parou de se pentear, debruçou-se no tanque e desatou num pranto irreprimível. Chorava, talvez, a dor da sua solidão sem fim. Condoído, o rapaz fez um movimento para a consolar, esquecido do que não fosse aquela ânsia de ternura que dele se apoderara. Ao erguer-se, porém, fez estalar sob o corpo os ramos da sebe em que se escondera. A corça embrenhou-se rapidamente no mato e a moura desapareceu subitamente, evolando-se numa névoa sobre a águas da fonte de S. João de Algoso.





Fonte de Luz, (s/d), "A Moura de Algoso", e de Dezembro de 2009, Concultado a 4 de Novembro de 2010 <http://www.fontedeluz.com/?ver=8&id=126> 

Actividade lúdico/cultural


À conquista do Castelo de Algoso
Venha percorrer os antigos caminhos que ligam Atenor a Algoso com a companhia dos burros de Miranda, uma raça autóctone desta região e em vias de extinção.
Aproveite ainda para conhecer o Centro de Recria do Burro de Miranda, em Atenor, visitar uma exposição sobre a raça e antigos usos, e ainda, dependendo da época do ano, acarinhar pequenos burricos nascidos ali.


Duração: 2 dias
Número de pessoas: nº mínimo de participantes - 6 adultos (para números inferiores terá de ocorrer adaptação do preço)
Ponto de partida: Atenor
Ponto de chegada: Valcerto
Dificuldade: Médio (alguns desníveis consideráveis para ultrapassar os pequenos vales). Sempre por caminhos.
Distância: 29 km
Burros: 1 burro/2-3 pessoas
Motivos de interesse: paisagem, cultura, património, fauna, flora
Observações: aconselhável levar binóculos


Preço: Burriqueiro Familiar - 210 €/pessoa
Burriqueiro Campista – 140 €/pessoa
Burriqueiro Aventura – 85 €/pessoa

Dia 0 Chegada e instalação dos participantes.

Dia 1
Desde a aldeia de Atenor, partiremos numa grande aventura tendo como companheiros de viagem alguns exemplares de Burros de Miranda. Passaremos por montes e vales verdejantes, seguindo por caminhos utilizados pelas pessoas locais desde há muitos anos, até atingirmos Vale de Algoso.
Logo um pouco após a saída de Atenor, vislumbraremos o Castelo de Algoso ao longe, espreitando por entre montes salpicados de campos e pombais tradicionais. Passaremos ao lado de Teixeira e seguiremos em fila indiana por um velho carreirão outrora utilizado para chegar de forma mais rápida até Mora (a aldeia vizinha). O carreirão acompanha o Ribeiro do Prado, até atingirmos a Ribeira das Tortulhas. Dependendo da época do ano atravessá-la poderá ser uma aventura!
Deparamo-nos depois com uma subida em zig-zag até Mora onde faremos uma paragem para a merenda e um descanso. Aproveitamos para conviver um pouco com os habitantes da aldeia, fiéis representantes da amabilidade e simpatia transmontana.
O caminho até Uva é curto e sem grandes dificuldades. Logo depois de alguns minutos de caminho, poderemos observar a aldeia dos pombais. Após passarmos as eiras, local onde anteriormente o cereal era trilhado e separado, entraremos na povoação onde tentaremos visitar um dos seus muitos pombais tradicionais.
Seguiremos o antigo caminho até Vale de Algoso, durante o qual atravessaremos o Rio Angueira através de um açude, junto às ruínas de um antigo moinho de água. Após a última subida da jornada, atingiremos Vale de Algoso, aldeia onde as casas antigas de pedra ainda predominam, onde se situa o Turismo Rural - Casa dos Pimentéis. A boa hospitalidade de quem aí mora tornará a sua estadia muito agradável.

Dia 2 Partiremos de Vale de Algoso em direcção a Algoso, por entre caminhos inicialmente rodeados de hortas e mais à frente de matos mediterrânicos, olivais e amendoais. Em tempo de amendoeiras em flor deparamo-nos com uma visão deslumbrante de encostas cobertas de branco com o castelo de Algoso ao fundo.
Após uma visita aos pontos mais emblemáticos da aldeia, subiremos até ao Castelo para usufruirmos de uma ampla vista sobre todo o planalto.
O Castelo situa-se no cimo de uma imponente escarpa sobre o rio Angueira, de onde podem ser observadas águias e abutres.
Passados os momentos de contemplação, seguiremos encosta abaixo até à antiga Ponte Medieval sobre o rio Angueira onde desfrutaremos de um almoço campestre numa das margens, onde poderemos observar cágados, melros-d’água e guarda-rios.

Já da parte da tarde, subiremos até à aldeia de Valcerto através de um caminho em ziguezague que se desenvolve por um bosque de sobreiros centenários.

Sempre com a imagem do Castelo de Algoso como companhia, agora desde uma outra perspectiva, chegaremos a Valcerto onde seremos recebidos pelos seus habitantes, e sempre que possível pelas Pauliteiras de Valcerto.



Contactos: burranco@gmail.com ou 960173863/914093724
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 À descoberta do último rio selvagem


O rio Sabor é um dos últimos rios ibéricos sem barragens. Este factor, associado à elevada diversidade biológica e muito baixa perturbação humana em toda a sua bacia, levou à sua classificação como um dos últimos rios naturais de Portugal. Sobre ele paira a ameaça de construção de uma grande barragem que iria destruir irreversivelmente um património único e de todos nós.
Com este passeio poderá conhecer alguns dos mais extensos e bem conservados azinhais e sobreirais do Nordeste do país, a vegetação do leito de cheia outrora comum à maior parte dos rios e outros habitats incluídos na Rede Natura 2000.
Poderá também acompanhar o voo de várias espécies rupícolas ameaçadas, tal como a águia de Bonelli, a águia-real, o abutre do Egipto e a cegonha-preta, e maravilhar-se com as belas paisagens de um rio, ainda, livre. Embora difíceis de observar, existem numerosas espécies de mamíferos presentes neste vale, e que nos poderão sempre surpreender – lontra, toupeira-de-água, gato-bravo, fuinha, gineta, doninha, javali, corço e lobo, entre outros.
À semelhança do vale do Côa, também aqui poderemos encontrar gravuras rupestres, algumas delas datadas do Paleolítico.
Dependendo da época do ano, poderá ainda usufruir de uma agradável banhoca nas águas do Sabor.

Duração: 2 dias
Número de pessoas: nº mínimo de participantes - 6 adultos (para números inferiores terá de ocorrer adaptação do preço)
Ponto de partida: Sampaio
Ponto de chegada: Ponte de Remondes
Dificuldade: Médio. Sempre por caminhos.
Distância: km
Burros: 1 burro/2-3 pessoas
Motivos de interesse: paisagem, fauna, flora, habitats
Observações: aconselhável levar binóculos

Preço:
Burriqueiro Familiar - 210 €/pessoa
Burriqueiro Campista – 140 €/pessoa
Burriqueiro Aventura – 85 €/pessoa


Para marcações: burranco@gmail.com ou 960173863/914093724 

AEPGA (s/d), "Passeios de burro - 2 dias", s/d, consultado em 4 de Novembro de 2010, <http://www.aepga.pt/portal/PT/144/default.aspx>

Usos e Costumes de Algoso - Bragança - Encomendação das Almas

A “Encomendação das Almas”, uma celebração associada ao culto dos mortos, e que em tempos se fazia na maioria das aldeias transmontanas, continua a ter expressão, todas as Sextas-feiras da Quaresma, a partir da meia-noite, em Algoso, uma aldeia histórica do concelho de Vimioso.
Um pequeno grupo de pessoas da aldeia teima em fazer sobreviver um ritual cuja origem, como a maioria das tradições, se perde no tempo e corre, como tantas, o risco de se perder.
Esta encomendação, que decorre obrigatoriamente a partir da meia-noite, junta lado a lado um pequeno grupo de homens e mulheres, que percorrem, noite dentro, todos os bairros da aldeia para lembrarem àqueles que “já dormem o primeiro sono” que é preciso rezar pelos mortos, que solicitam o auxílio dos vivos para a sua entrada no Paraíso.
Colocados em lugares estratégicos e agrupados num pequeno círculo, entoam um punhado de versos que, a distintas vozes e em ritmo afinado, a que se misturam um tom dolente e sinistro, dão vida às sonoridades de uma melodia que aprenderam dos avós.
“Acorda ó pecador / acorda não durmas mais / olha que se estão queixando / as almas dos vossos pais.” Dizem alguns dos versos das três estrofes de uma canção, que é também um alerta, ensaiada vezes sem conta algumas horas antes da saída, para ajudar a distrair do sono.
Feito com algum secretismo, o cerimonial acontece tardio. “Só vamos quando já todos estão a dormir, para depois os acordarmos e fazer com que aqueles que nos ouvem rezem pelas almas do Purgatório”, explica Ascensão Vicente.
Antigamente, diz Maria da Natividade, “só eram três pessoas, dois homens e uma mulher, e, como fazia muito frio, os homens iam muito tapadinhos, com aqueles capotes de burel”, e percorriam, mesmo às escuras, as ruas enlameadas da aldeia para poder levar a todos os recantos os versos da tradição. “Quando era nova, lembro-me bem de os ouvir da cama e a gente arrepiava-se com aquilo”, recorda Maria da Natividade.

Segundo Alfredo Carvalho, que apesar dos seus mais de oitenta anos ainda acompanha o grupo, “as pessoas que nos ouviam punham também à janela uma candeia ou uma vela acesa”. Hoje “convidam-nos a entrar em suas casas e oferecem-nos uma fatia de bolo, um copo de vinho ou bagaço para afinar a voz, e a gente agradece, porque as noites ainda estão muito frias”, diz Augusto Gouveia.
A rua da lagoa, o tronco, o pelourinho ou o barranco, são alguns dos pontos obrigatórios desta ronda nocturna, que se estende muitas vezes até às duas da madrugada para fazer chegar a encomendação a toda a aldeia.
“Os versos são muito antigos, foram os nossos pais e os nossos avós que no-los ensinaram, porque, desde novos, nos juntávamos a eles e fazíamos por aprender estas coisas”, recorda José Carlos Brinco.
No entanto, receiam que a tradição acabe por se perder, porque, lamenta-se Ascensão Vicente, “ao contrário da nossa, a geração de agora não quer aprender nada disto, os jovens já não põem fé a nada”.
Mas este ritual da “Encomendação das Almas”, que ainda vai sobrevivendo, não o faziam apenas em Algoso, deslocavam-se muitas vezes às aldeias vizinhas, como Vale de Algoso, ou mesmo à vila de Vimioso, “sempre que havia vagar”, conta Augusto Gouveia, que começou a participar nesta tradição aos dezanove anos.
Mas Algoso, que conserva ainda um invejável património arquitectónico, tem outras tradições quaresmais, como aquela que se realiza na Quinta-feira Santa e que leva os mais devotos a visitar todos os lugares sagrados da aldeia.
Cada um dos pequenos santuários é adornado de colchas brancas e flores pelas zeladoras e, ao início da tarde, individualmente ou em pequenos grupos, visitam, uma a uma, todas as capelinhas, num compasso onde as orações são ponto obrigatório. As Igrejas da Misericórdia, S. Roque e S. João são alguns dos santuários da visita, que termina na capelinha da Nossa Senhora do Castelo.


Folclore-online (s/d), "Usos e Costumes de Algoso - Bragança - Encomendação das Almas" ,s/d, consultado em 4 de Novembro de 2010, <http://folclore-online.com/ciclos/quaresma/encomendacao_almas_algoso.html>

Vale de Algoso apaixona “tripeiros”


Meia dezena de famílias sem raízes na região investem nesta aldeia do concelho de Vimioso

Vale de Algoso apaixona “tripeiros”

Basta meia volta por Vale de Algoso, no concelho de Vimioso, para constatar que, além das casas de granito, com as suas varandas típicas, não há nenhum monumento ou património emblemático que se destaque.
Contudo, depois de uma visita mais demorada, a paisagem e o sossego, as tradições e os costumes, aliados às gentes hospitaleiras entranham-se de tal modo que, meia dezena de famílias, sem qualquer ligação à região, decidiram construir habitações nesta anexa de Algoso.
Bento Martins é um “forasteiro” oriundo do Porto que fez de Vale de Algoso a sua “terra natal”, onde até já construiu uma casa. “Conheci esta região por motivos profissionais e, mal vi esta aldeia, apaixonei-me e liguei imediatamente à minha esposa a dizer-lhe que encontrei um lugar de sonho”, recordou o tripeiro.
Depois de anos a hospedar-se na Casa dos Pimentéis, uma unidade de turismo rural local, Bento Martins decidiu comprar um imóvel de traça tradicional, que se encontrava degradado. Recuperou-o, mantendo a tipicidade da arquitectura transmontana, e hoje não passa um mês sem vir a Trás-os-Montes, mais do que uma vez. Tanto assim é que até já é mordomo da festa na aldeia. “Fui criando raízes aqui e, um dia mais tarde, pretendo instalar-se cá definitivamente”, confessa.

Gentes hospitaleiras cativam turistas do Norte do País

A par do sossego, aquilo que mais atraiu Bento Martins foram os habitantes acolhedores e hospitaleiros, que fazem com que qualquer “estranho” se sinta em casa.
“Estas gentes têm uma química diferente de todos os outros transmontanos. São pessoas boas, que dão o que têm, mesmo a quem não conhecem”, sublinhou o nortenho.
Características e qualidades que não deixam indiferentes os turistas que passam pela Casa dos Pimentéis.
“Abrimos em 2000 e recebemos uma média de 50 pessoas por mês sem raízes na freguesia e que, na sua maioria, regressam”, revelou Domingos Pimentel, o proprietário da unidade de turismo rural.
Segundo o empresário, este “fenómeno” criou “uma dinâmica nova na aldeia, que estava moribunda e, com esta gente nova, foi revitalizada”.
Já para o presidente da Junta de Freguesia de Algoso, Luís Manuel, a vinda de novas pessoas tem contribuído para a recuperação da imagem da própria aldeia. “Havia muitas casas degradadas que foram reconstruídas, mas mantêm os projectos tradicionais”, sublinhou o autarca.
Recorde-se que Vale de Algoso tem cerca de 30 habitantes permanentes, mas que em fins-de-semana ou datas festivas a população duplica. 

Canteiro, Sandra (2009), "Vale de Algoso apaixona “tripeiros” ", 15 de Dezembro de 2009. Consultado em 4 de Novembro de 2010, <http://www.jornalnordeste.com/noticia.asp?idEdicao=296&id=13174&idSeccao=2667&Action=noticia>



ALGOSO

Algoso, povoação do concelho de Vimioso, no distrito de Bragança, com 105 fogos em 1530 e 198 em 1940. Outrora vila e cabeça de concelho, hoje em dia quase esquecida, no fundo da planície onde se avistam as serras de Sanabria, Bornes e Nogueira. Nas suas terras muito férteis, colhia-se o trigo, centeio, cevada, azeite e vinho

.

Quando, em 1855, foi suprido o concelho, Algoso, tinha Casas da Câmara e da Cadeia, um Monte de Piedade, que fornecia cereais a baixo preço aos lavradores menos afortunados, e uma escola de instrução primária masculina, que já existia em 1836, provavelmente em consequência dos decretos de 6 de Novembro de 1772 e 11 de Novembro de 1773. A Escola feminina foi criada por decreto de 8 de Setembro de 1876.

Algoso sobrevive à história e à Lenda - uma e outra sem demarcação bem definida - pelo trabalho dos homens e mulheres que aí ficaram para um dia "se deitarem no caixão" com a serenidade de quem chega honradamente ao fim de um longo e trabalhoso dia", no dizer de MIGUEL TORGA.


Algoso, com os seus romances de cavalaria, entoados de Sol a Sol nos campos da ceifa, e os seus pauliteiros envelhecidos que ainda cruzam e batem os paus com a violência de uma raiva - pauliteiros dos domingos sem fim, a espantar os Santos de madeira dos andores e as raparigas das procissões do Maio, que são hoje essas mulheres, partindo amêndoas nas soleiras das portas.

(Michel Giacometti, POVO QUE CANTA, 1973)
Publicada por Fernando_MC_Barros em: http://ogalaico.blogspot.com/2010/02/aldeias-galaicas-cap-ii-algoso.html

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

ALGOSO, Comendador

Algoso foi concelho até 1855, data em que foi suprimido. Esse espaço geográfico pertence, actualmente, ao concelho de Vimioso. Durante muitos anos ao nome do Comendador de Algoso, andou anexado o de Alcaide Mor. Foram os seguintes, os Comendadores desse antigo concelho: Frei João Borralho nasceu em Algoso e já era mencionado em documentos da Torre do Tombo, em 1538; Frei Gonçalo de Azevedo (1588, 1601 e 1610); Frei Luís de Brito Mascarenhas (1640); Frei António Pereira Brandão (1678); Pedro da Gama e Morais foi Capitão Mor e morreu em 1685; António Pimentel de Morais natural de Algoso, Cavaleiro professo na Ordem de Cristo. Foi eleito Capitão Mor pelo povo. Tomou posse em 19.7.1685, falecendo em 1689. Frei Heitor de Miranda Pinto (1707); Frei Paio de Abreu e Lima (1731); Frei José de Almeida Portugal (1756); Frei Francisco Guedes (1770/1777); Frei Manuel Pereira Coutinho (1791); D. Veríssimo de Lencastre (era Alcaide Mor em 1792); Frei Manuel Pais de Sá (1821 e 1831); Frei Joaquim Pais de Sá; Bento Manuel de Morais Pavão era Capitão Mor em 17.5.1790; João Manuel de Sá Machado foi nomeado Capitão Mor por carta de El Rei D. João VI, de 6.12.1811, em atenção aos serviços prestados e pela impossibilidade de ser seu genro Bento Manuel Pavão (a ser eleito).



In i volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.

Fonte:Notícias do Douro


Aldeia julga ter visto ovni que ateou incêndio


A população de Algoso, Vimioso, ficou assustada, na madruga de sábado, quando viu dois objectos luminosos "vermelho escuro" aparecerem nos céus da aldeia. Pouco depois, um deles desintegrou-se e o outro caiu num lameiro, nas traseiras do cemitério, provocando um pequeno incêndio, que de imediato foi extinto.
Perante a presença do desconhecido, a população ficou em sobressalto e os sinos tocaram a rebate. E as teorias populares variam. Uns presenciaram "um fogo que ardia em círculo e que consumiu uma dezena de metros de mato". Outros não têm dúvidas que viram ovnis, já que, na área ardida, dizem ter visto "um objecto metálico, do tamanho de uma moeda, preso a um cordão que não foi consumido pelas chamas". Outros ainda dizem ter ouvido um barulho "semelhante ao lançamento de fogo-de-artifício, seguido de um intenso clarão".

Maria Olívia Vaz, proprietária de um café na aldeia, diz ter visto duas luzes tão grandes que, quando tentou olhar para elas, ficou "com as vistas afectadas". Receosa que os objectos caíssem em cima de casa, gritou, provocando pânico entre os clientes que se encontravam na esplanada e que presenciavam igualmente o fenómeno. Anabela Martins conseguiu guardar um pequeno resíduo dos fragmentos para "recordação".

Aquela testemunha garante que na cauda da luz viu "um rasto de fumo que foi desaparecendo à medida que se aproximava do solo". Os bombeiros de Vimioso recolheram alguns vestígios, que serão enviados, hoje, para o Observatório Nacional de Astronomia.

Fonte: Algoso Online
em 13-05-2005 07:21 

sábado, 30 de outubro de 2010

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Arquivo cinematográfico

Algoso, aldeia de História e tradições.





Programa POVO QUE CANTA, RTP.
Autor Michel Giacometti.








Anamnesis 2008 b-fachada ao vivo no Castelo de Algoso

domingo, 17 de outubro de 2010

Ministério consegue mais verbas

Cortar no papel (substituído por suporte digital), reduzir o consumo de energia em dez por cento e passar a fazer chamadas através da internet. Eis algumas das formas sugeridas na proposta de Orçamento do Estado para 2011 para diminuir despesas no Ministério da Cultura (MC), cujos organismos deverão ainda obter verbas rentabilizando espaços e prestando serviços a empresas e cidadãos.

Uma das surpresas do Orçamento é a extinção da Direcção--Geral do Livro e das Bibliotecas (integrada na Biblioteca Nacional), enquanto os teatros nacionais D. Maria II (Lisboa) e São João (Porto) serão integrados na OPART, organização de produção artística que já geria a Companhia Nacional de Bailado e o Teatro de São Carlos.
Apesar das restrições anunciadas, o orçamento do MC regista uma subida de 2,9 por cento (5,6 milhões), totalizando 201,3 milhões de euros, e alguns dos seus organismos serão mesmo contemplados com aumento de verba. Casos da Cinemateca (que sobe 48 por cento, de 3,7 para 5,5 milhões de euros), do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (de 16,1 para 20,9 milhões de euros) e do Instituto do Cinema e do Audiovisual (de 12,8 para 15,6 milhões). Sobe ainda o Fundo de Fomento Cultural (para 24,8 milhões). O MC anunciou que não gastou o dinheiro de que dispunha para 2010: nos cofres ficaram 40,6 milhões de euros. 

Fonte: Correio da Manhã
Por:Ana Maria Ribeiro com Lusa

sábado, 16 de outubro de 2010

Castelo de Algoso mais atractivo

Até 2004, o castelo de Algoso, no concelho de Vimioso, vai ser transformado num museu vivo sobre a história da nacionalidade.

Fruto de um protocolo estabelecido entre a Câmara Municipal de Vimioso e o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) serão investidos cerca de 90 mil contos na cobertura e iluminação interior da torre de menagem, musealização de algumas áreas da fortificação e na criação de um centro de interpretação. Este equipamento ficará situado junto ao pelourinho da freguesia, num imóvel que o IPPAR vai adquirir “para restaurar de forma exemplar”, revelou Paulo Amaral, arqueólogo daquele Instituto. Para além de dados históricos, o centro vai disponibilizar os resultados das escavações que têm vindo a ser efectuadas desde o ano passado.
As intervenções correspondem à segunda fase da reabilitação do castelo, onde já foram investidos 25 mil contos na melhoria dos acessos, na criação de um parque de estacionamento, iluminação exterior e colocação de vedações e escadarias.
Esta fase compreende, também, a edição de desdobráveis alusivos à fortificação e de um videograma sobre a Comenda de Algoso, que na Idade Média tomou conta do castelo.
Por outro lado, está prevista a construção duma escadaria de acesso ao topo da torre de menagem, “o que permitirá tirar máximo partido da paisagem”, acrescentou Paulo Amaral.
Tendo em conta que o local tem sido alvo de alguns actos de vandalismo, a edilidade e o IPPAR vão contratar uma guarda que, para além da tarefa de vigilância, vai assegurar a distribuição dos desdobráveis que serão editados.
As obras previstas na segunda fase, aliadas à criação do Centro de Interpretação, serão, segundo o IPPAR, “um factor de animação para a aldeia”.
Assim o espera o presidente da Junta de Freguesia de Algoso, Isaías Gouveia. “Este investimento representa muito para nós, porque somos uma aldeia histórica e vamos ter mais condições para as pessoas que nos vêm visitar”, defende o autarca.
O presidente da Junta assegura que a freguesia é visitada com frequência por pessoas de todo o país e de Espanha, principalmente durante o fim-de-semana. A criação da vedação no castelo contribuiu para aumentar o número de visitas, dado que o castelo situa-se a 500 metros de altitude e tem uma vista vertiginosa para o vale do rio Angueira e Planalto Mirandês.
Construído no século XII a Maio do caminho entre Mogadouro e Vimioso, defendia uma importante posição estratégica, dado que era um ponto de observação privilegiado.

JC - Jornal Nordeste

Algoso ganha Museu


Castelo de AlgosoCastelo vai contar com centro de acolhimento e núcleo interpretativo e museológico.
O castelo de Algoso, no concelho de Vimioso, vai passar a dispor de um centro de acolhimento a visitantes e de um núcleo interpretativo e museológico, que ficará instalado num imóvel a recuperar, situado no largo do Pelourinho da aldeia.
Trata-se de um local de passagem obrigatória para quem se dirige à antiga fortaleza e onde se encontram outros monumentos já recuperados, nomeadamente o Pelourinho.
A intervenção prevista ronda os 150 mil euros, sendo o projecto, a recuperação e a adaptação do edifício da responsabilidade do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR).
Aldeia que já foi vila.
Largo do PelourinhoPaulo Amaral destaca outra das componentes do núcleo interpretativo e museológico. “No âmbito da informação turística a disponibilizar, o IPPAR está a preparar um videograma sobre a Comenda de Algoso, já que o castelo estava inserido num território mais vasto que abrangia algumas localidades vizinhas e é preciso contextualizar o seu papel” salienta o técnico.
Segundo o vice-presidente da Câmara Municipal de Vimioso, Jorge Fidalgo, o imóvel a recuperar foi adquirido pela autarquia e cedido ao IPPAR, com a condição de ali ser construído o centro interpretativo.
Com a concretização do projecto, Jorge Fidalgo antevê o alargamento da oferta turística e cultural da freguesia.
Recorde-se que o concelho e a vila de Algoso foram extintos em 1855. A antiga vila era comarca, edifício da Câmara e Cadeia, o que lhe conferia alguma importância no território do Planalto Mirandês.
O centro interpretativo vai entrar em funcionamento no final do próximo ano. Apesar de alguns edifícios da aldeia estarem descaracterizados, o centro da localidade, em especial o Largo do Pelourinho, mantém a traça original.
Por: Francisco Pinto
Fonte e fotos: Jornal do Nordeste

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Dia Nacional dos Castelos






A propósito da comemoração do Dia Nacional dos Castelos, a revista País Positivo foi à descoberta de alguns dos mais emblemáticos castelos portugueses. Nesta viagem pelo nosso país deparamo-nos com o Castelo de Algoso, no concelho de Vimioso.



Comentário por José Baptista Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Vimioso
Qual a importância do Castelo de Algoso para o concelho?
O Castelo de Algoso, que constitui um ex-líbris do concelho, assume-se como um pólo dinamizador no plano cultural, social e económico. Conscientes dessa tripla importância, temos direccionado toda a atenção para a preservação e promoção do Castelo integrado no conjunto de todo o concelho. Concretamente, em parceria com o antigo IPPAR e IGESPAR, hoje Direcção de Cultura do Norte, procedeu-se a várias intervenções. Destaco a abertura do Centro de Acolhimento localizado no Largo do Pelourinho, também ele alvo de recente requalificação urbanística, bem como a do acesso ao Castelo. Estamos muito confiantes que todo este esforço contribuirá para a atracção de turistas e, por conseguinte, a criação de postos de trabalho (hoje já está criado o da técnica do Centro de Acolhimento), não só em Algoso mas em todo o concelho, com a consequente dinamização económica que daí resulta.
Além disso, preservamos o património que é uma marca identitária do concelho, em geral, e de Algoso em particular, freguesia com vários pólos de interesse cultural. Diria mesmo que homenageamos os que nos antecederam e projectamos o futuro daqueles que cá vivem e das futuras gerações.
O Castelo em si, e lá do alto, o que dele podemos observar é simplesmente deslumbrante. Convido todos a visitarem o Castelo e o nosso concelho.

Entrevista a Paulo Amaral, técnico do IGESPAR
Sendo o Castelo de Algoso a imagem de marca do município de Vimioso, qual a importância histórica e patrimonial do mesmo para a comunidade envolvente?
O Castelo de Algoso é um dos mais emblemáticos castelos do Nordeste Transmontano, em boa parte devido ao seu posicionamento alcantilado sobre o vale encaixado do Rio Angueira que lhe confere um enquadramento paisagístico ímpar, num ambiente marcado pela sua impressionante carga cenográfica.
Tendo sido construído em meados do séc. XII, durante o reinado de D. Sancho I, constituiu, na época, o centro político-militar de grande parte do Nordeste Transmontano, constituindo uma peça fundamental na afirmação do poder régio do reino de Portugal face às pretensões do Reino de Leão sobre esta área geográfica. Em 1224 o castelo foi doado por D. Sancho II aos cavaleiros hospitalários, tendo posteriormente assumido a condição de sede da Comenda da Ordem de S. João do Hospital, tutelando o vasto domínio que aquela ordem militar possuía na área transmontana.

Como caracteriza o trabalho realizado em prol da preservação deste marco histórico, realçando o papel do mesmo como um pólo de dinamização socioeconómica para Vimioso?
O projecto de estudo e valorização realizado no Castelo de Algoso entre 1999 e 2008, com intervenções em parceria entre o Ministério da Cultura e a Câmara Municipal de Vimioso, permitiu promover as virtualidades intrínsecas de um imóvel com as características deste Castelo, seja pela possibilidade de, localmente, se integrar num pequeno roteiro de monumentos civis e religiosos localizados na envolvente imediata do território da freguesia e na área da Comenda de Algoso (Vimioso, Mogadouro e Miranda do Douro), bem como, em temos regionais, se articular com a rede de castelos que o Ministério da Cultura intervencionou na última década nesta zona raiana do leste transmontano. Nesta perspectiva, a recuperação e valorização de elementos patrimoniais deverá constituir uma das molas do desenvolvimento sustentado de uma área periférica e das mais deprimidas, em termos sócio-económicos, do distrito de Bragança, cuja oferta de recursos endógenos é particularmente limitada, mas que pela potencialização do binómio património / turismo se possam propiciar as condições necessárias à inversão deste quadro.


Relativamente ao centro de acolhimento do Castelo de Algoso, como define a missão e importância do mesmo?
A instalação de Centro de Acolhimento visa o desenvolvimento de um programa que, articulando este equipamento com o espaço do próprio Castelo de Algoso, possibilite a fruição do monumento de uma forma mais abrangente que não se restrinja à mera observação passiva da massa construída. Será com recurso à formatação da informação através de uma linguagem museográfica, assim como a disponibilização de material de apoio aos visitantes, sob a forma de um prospecto divulgativo, que se pretende imprimir uma nova dinâmica a um Castelo que, para além da sua imponência arquitectónica, se pretende vivo e capaz de transmitir algo de si aos visitantes que a ele afluem. Deste modo, o Centro de Acolhimento possibilita promover os instrumentos lúdicos e pedagógicos que permitam uma melhor compreensão da dinâmica de um tipo de sítio com as particularidades do Castelo de Algoso - correspondendo a um centro administrativo e respectivo aglomerado urbano adjacente -, localizado numa difícil e agreste zona de fronteira que se revelou de particular dificuldade no seu processo de povoamento.

Tendo como ponto central o Castelo de Algoso, refira quais são as actividades e eventos culturais delineadas pela Direcção Regional de Cultura do Norte, realçando em particular o que se encontra previsto para o dia 7 de Outubro, data em que se comemora o Dia Nacional do Castelo.
Tendo sido efectuada a abertura ao público do Castelo de Algoso e do Centro de Acolhimento no passado mês de Julho, está a ser delineado um programa de actividades que, para além da visita livre ao castelo, disponibilize aos diferentes tipo de público-alvo – população estudantil, populações locais e turistas – um conjunto de iniciativas que permita, ao longo de todo o ano, uma vivência o mais regular possível deste imóvel, nas quais obviamente se incluem as comemoração de datas marcantes para o monumento, nomeadamente o Dia Nacional dos Castelos (7 de Outubro) e o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios (18 de Abril). Para o próximo Dia Nacional dos Castelos estão programadas visitas guiadas com alunos do Agrupamento de Escolas de Vimioso e do Agrupamento de Escolas de Mogadouro, articulando o Castelo de Algoso com os vizinhos Castelo de Penas Róias (Mogadouro) e Castelo de Mogadouro.




Retirado de pais positivo.
29-Set-2010