Galeria de Imagens
sexta-feira, 8 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
Tomada de posse do Bailio, Chanceler e comendador de Algoso
do dito castello cujas chaves ficarão na sua mam e loguo fomos a igreja
matriz desta villa cuja capella mor lhe pertence e nella tomou taobem
lhes deu posse de tudo o mais que ao dito comendador pertence como
são tulhas e rendas».
A posse da matriz, significando igualmente a posse sobre as igrejas que
lhe eram «aneixas e filiais», tinha uma consequência directa: todos os
sacerdotes que nelas exerciam o múnus pastoral deviam ser apresentados pelo
comendador. Mas a estas havia ainda que acrescentar as abadias da Senhora
da Assunção de Travanca, de S. Pedro de Sendim, S. Pedro de Silva, Santa
Olaia de Cércio que «em solidum erão do padraoado desta villa de Algozo e
apresentação dos comendadores delia do tempo emmemoriavel sem contradição de pessoa algua».
Para todas as igrejas da comenda se passaram a escrito os encargos do
comendador e dos seus fregueses. Ainda que neste campo se possam assinalar
algumas variações, merece a pena evidenciarmos as obrigações de maior
significado que, em 1684, o comendador tinha para com a igreja de S.
Sebastião de Algoso e em que:
«por custume antiguo ememoriaes estava o venerando comendador
obriguado todo o necessário para ademnistração dos sacramentos
sacrário e ornatos retaballo da cappella maior comcerto da samchristia
de hua parede e todo o tecto doze arratez de sera hua lampa [sic] com
sua luz aseza continuadamente na cappella maior corenta mil reis ao
reverendo reitor seis ao reverendo cura quoatro alqueires de triguo e
dois almudes de vinho para as missas».
Como as obrigações pressupõem direitos, anotem-se as rendas que ao
comendador competia receber:
«as três partes dos dismos desta villa e sua reitoria de todos os frutos e
criaçoens e as imprimas todas em solidum e que os quoartos dos
dismos pertencia ao Ilustríssimo bispo de Miranda ».
Sendo útil referir que em relação directa com a reitoria e com a
comenda da vila de Algoso se podiam contar dezoito igrejas de outras tantas
povoações valerá igualmente a pena acrescentar que a religião de Malta era
titular de muitos direitos e propriedades em quase todas as povoações do
bispado de Miranda. Uns e outras foram objecto de registo, medição e
demarcação no século XVII e novamente em 1707 uma vez que, de acordo
com os Estatutos da Religião de Malta, o comendador - nesta altura Frei Heitor
Pinto de Miranda - tinha obrigação de fazer Tombo com uma periodicidade
de vinte cinco anos para, desta forma, se evitarem usurpações e se trazerem
com boa organização os bens da Ordem.
Rodrigues, Luís Alexandre, 2001, "De Miranda a Bragança: arquitectura religiosa de função paroquial na época moderna", Volume I, Dissertação de Doutoramento em História de Arte apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Teatro em Algoso
que de há muito vinha cogitando, cerca da Curalha, fixou‐se o cineasta cristão
Manoel de Oliveira em três cruzes de rústica madeira, simetricamente coloca-
das à beira de uma estrada. Inquirindo a sua razão de ser, foi informado de que,
naquela aldeia, iria, uma vez mais, ter lugar uma representação popular do Auto
da Paixão, de Francisco Vaz de Guimarães, discreto dramaturgo português de
quinhentos, e de que os intérpretes seriam os próprios habitantes da região.1
A Oração No Horto: um Auto quinhentista e suas recuperações, Via Spiritus 14 (2007) 91-108
quinta-feira, 31 de março de 2011
Conto feito por uma criança
A viagem, felizmente, estava quase no fim. A auto-estrada projectava-se no horizonte, como uma serpente sinuosa de alcatrão negro, contornando montes, rasgando os bosques, transpondo rios revoltos com o degelo da primavera. Março aproximava-se do fim e a primavera conquistava o seu espaço, invadindo de verde vivo os mais ínfimos recantos, brotando de entre as rochas, salpicando de flores silvestres as beiras das estradas. Nos céus, as aves regressavam aos lares, embaladas pelas brisas mornas do sul.
Aos poucos e poucos, a neve fora desaparecendo e a vida adormecida voltava agora a brotar, com todo o seu esplendor, aos primeiros raios de sol.
Bragança, Macedo de Cavaleiros, Algoso… Castelo de Algoso. Um pequeno ponto no mapa, meia dúzia de casas em ruínas nas encostas de um castelo que já fora outrora imponente, mas que agora se entregara ao silêncio do abandono.
Chegara ao seu destino.
A estrada esboroada e cheia de curvas desencorajava os turistas. Os próprios habitantes evitavam percorre-la, apesar de ser a sua única forma de comunicar com o mundo exterior. Talvez por isso mesmo tivessem partido, um após outro, rumo à vila de Algoso, levando os filhos, os animais, o recheio das casa… transformando a aldeia num castelo assombrado de almas penadas, entregue aos cães vadios que percorriam as ruas vazias à procura de alimento.
Todos os habitantes haviam partido… todos, menos um.
O automóvel deteve-se diante da única casa ainda impecavelmente caiada de branco, com um rodapé azul forte a contrastar com o cinzento das pedras da calçada. Uma buganvília, já de tronco retorcido, estendera-se livremente sobre o muro, deixando pender uma mancha arroxeada viva sobre a rua, um tufo de cor no meio da desolação.
O último resistente de Castelo de Algoso insistia em cuidar do jardim, podar a sebe, pintar as portas e janelas e ainda manter saudáveis e bem tratados os coelhos, galinhas e as duas gaiolas de periquitos com que preenchia grande parte do seu tempo livre.
- Avô…
- Ricardito… pensei que te ias esquecer…
Abraçaram-se efusivamente.
O avô Gilberto era uma daquelas personagens de um mundo antigo, rural e em vias de extinção. Os dois filhos, noras, netos… todos residiam no Porto ou em Braga, entregues aos seus afazeres, disfrutando o conforto da civilização.
Mas ele ficara.
Vizinho após vizinho, acabara sozinho na pequena aldeia.
O Ricardito - como ele nunca deixaria de lhe chamar - era o mais novo de todos os netos; mas também aquele com que sempre mantivera a mais especial relação de afecto, de cumplicidade até. O Ricardito era a sua visita mais assídua, o único que - ainda criança - ali passara com ele algumas férias de verão, a brincar com os animais, a ajudá-lo na horta, empoleirado sobre o tractor.
E mesmo agora, vinte anos já feitos, continuava a cumprir aquele ritual mágico do último fim de semana de Março - O Hamami.
O que era o Hamami ?
O avô Gilberto explicara-lhe - andava ele ainda de calções - a essência da contemplação das amendoeiras em flor, uma tradição ancestral no Japão, onde todos os anos uma multidão de famílias rumava aos parques e campos, para se deleitar com o momento mágico do desabrochar da flor da amendoeira.
Sentaram-se no quintal traseiro da casa, uma toalha branca sobre a mesa, uma garrafa já aberta, pão, algumas guloseimas que o neto trouxera da cidade, à sombra da grande árvore.
Durante aquele fim de semana, ficariam por ali, tranquilamente à espera do momento mágico.
- Ainda te lembras? - e o avô observava-o com carinho.
Claro que se lembrava. Fora ele mesmo, com a ajuda do avô, que plantara aquela mesma árvore, num dia longínquo de uma daquelas férias de verão que ali passara. De alguma forma… sentia aquela árvore como um passar de testemunho, uma forma de perpetuar sentimentos, de partilhar afectos…
- Claro que me lembro, avô… então ia lá esquecer-me disso ?
Reclinou-se um pouco mais e olhou para um dos pequenos ramos, que pendia próximo da mesa.
- Queres fazer uma aposta comigo, avô ? Vai ser ser aquela ali… a primeira a abrir…
O avô seguiu-lhe o olhar e sorriu.
- Nem penses Ricardito… julgas que acertas todos os anos, é isso ? Nem penses… ora deixa-me lá ver qual vou eu escolher…
Turistas que visitam Trás-os-Montes são os mais satisfeitos do Norte
No questionário, 60,3% dos turistas dizem que “muito provavelmente” vão voltar a visitar a zona.
O vice-presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal, Júlio Meirinhos mostra-se satisfeito com estes resultados e destaca as potencialidades da região: “Temos uma data de produtos estratégicos, como a Natureza, gastronomia e vinhos e a animação cultural que são determinantes para esta preferência”. Além disso, destaca também “a simpatia dos transmontanos”, que tem feito com que os turistas fiquem agradados e queiram voltar. “Mais de 56 por cento querem repetir, o que é inédito porque o turista, por norma, procura novos destinos”, destaca Júlio Meirinhos. E para melhorar este desempenho o responsável adianta que até ao final do ano, todos os concelhos do distrito de Bragança vão estar equipados com lojas interactivas de informação ao turista “para que nada lhes escape”. A primeira destas lojas deverá ser colocada no Aeroporto Sá Carneiro, no Porto.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
A Moura do Algoso
A Moura do Algoso
Terras trasmontanas, onde o chão, para melhor subir nas alturas do ceo, se ondeia, revolve, enovella em montes, até dar o salto mortal para as serranias enormes: ahi fica a villa do Algoso.
Está em terras de Vimioso, que a voz do povo reune a Miranda-do-Douro, cantando e rindo de troça:Caçarelhas já foi villa,
Miranda nobre cidade,
Vimioso ladroeira,
Como toda a gente sabe.
Era o Algoso velha alcaidaria-mór da comarca de Miranda, enterrada entre as Serras de Bornes e Nogueira a todo o Poente, e as Serras de Roboredo e Cimas-de-Mogadouro para Sul e Nascente. Vê-se como será movediço este chão, que liga as duas imponentes linhas de alturas rochosas e agrestes. Correm entre estes macissos dois rios, o Mação que vae desaguar no Sabor, e o Angueira que abaixo do Algoso se mette no Mação.
Lá para cima é Bragança, no seu throno lendario que domina todo o districto; ao Nascente é a antiga cidade de Miranda, honesta e humilde na sua decrepitude sympathica de mumia. E’ rude o povo quando lhe diz: — Se fôres a Miranda, vê a Sé e anda.*
Sobem montes, descem precipicios, sobem outros montes mais altos, e nas covas, sobranceiro ás alturas, esteve outrora o castello do Algoso. Para descer e ir a terras vizinhas, é longe. Tudo é longe, mau andar naquellas serras frias.
Quem quiser vêr mau caminho,
Vá de Soutello a Montezinho.Quem quiser saber o que as legoas são,
Vá de Iseda a Santulhão.Lá no fundo fervem, no cachão branco da espuma, as aguas geladas do Angueira, no qual vão banhar as raizes os pinhaes, que descem lentamente, cobrindo-os por completo, os montes vizinhos.
*
Havia no Algoso uma fonte ao pé de um rosal. Era simples. Uma fontezinha aldeã: da pedra do monte brotava e corria, cantante, a agua; do sulco, por onde ella descia como varinha de crystal a torcer-se, cahia num tanque pequeno de pedra, cavado rudemente por qualquer artifice da aldeia; aos lados, moutas de roseiras aromatizavam deliciosamente o recanto.
Chamavam-lhe a Fonte de S. João, porque nessa noite, uma vez ao anno, apparecia, onde vinha pentear-se, a mais linda moura de Tras-os-Montes.*
Diz a lenda que por alli havia, no tempo dos Mouros, um bruxo de terrivel memoria.
Acudiam todos a procurá-lo, para serem curados por elle nas doenças de que desesperavam melhoras, ou para o consultarem em assumptos de interesse. Curava doenças a uns; matava outros com os remedios; enganava os que lhe pagavam os serviços, convencidos dos poderes de bruxo. Mas o certo é que tinha fama por todos os arredores.
Desciam os povos em demanda do bruxo poderoso, desde Macedo-de-Cavalleiros, Vimioso, Mogadoro e Alfandega-da-Fé, através das montanhas cheias de neve. Quantos morriam pelo caminho minados pela doença e pelas canseiras da viagem? Outros cahiamnos precipicios. Havia luctas tremendas com alcateias de lobos. E no emtanto, apesar de tudo, afluia do Freixo-de-Espada-á-Cinta, da Torre-de-Moncorvo, de Villa-Flor, de Mirandella, de Bragança. De mais longe, de Vinhaes, Valle-Passos, Murça, Carrazeda, e mais e mais.
Era uma romaria no Algoso. E o bruxo orgulhava-se da clientella. Procuravam-no pobres e ricos; e na casa de pedra negra, onde os recebia, entravam os estofos luxuosos e os pannos grosseiros. A todos elle egualava deante das suas artes magicas, porque a egualdade adoptada por elle era a do dinheiro. Todos que pagavam, seriam servidos.
Creou fama de rico e devéras o deve ter sido. O ouro corria a jorros para os arcazes de embutido.*
Os Christãos, fortes já na sua audacia pelo numero e sobre tudo pela fé, desceram das montanhas do Norte da Peninsula e vieram de roldão por ahi abaixo contra os Mouros. O Algoso resistiu mas teve de render-se, e o bruxo desappareceu.
Quando viu tudo perdido, o bruxo não quis que os seus thesouros cahissem nas mãos dos vencedores. Tratou de os esconder. Para mais, elle não podia convencer-se do grande praso de ausencia os Mouros voltariam mais dia menos dia, e elle de novo se apossava das riquezas escondidas.
Só lhe faltava escolher o logar do esconderijo, e a unica difficuldade, se a havia, era escolher um entre tantos; mais custoso seria o trabalho de encontrar guarda para elle.
Correndo os olhos pelo contorno do castello, deu com a Fonte de S. João. Era bom sitio para se não perder, e não ficava longe. Foi-se lá com o melhor dos thesouros, que não podia transportar consigo na fuga pelos montes e precipicios. Cavou e metteu na cova o cofre de marfim, chapeado de cobre, onde guardou as joias e o ouro.
Ao voltar para casa, deu com uma rapariga, que ia á fonte, com uma cantarinha de asa esbelta. Receou que ella o tivesse visto guardar o cofre no rosal á beira da fonte, e o denunciasse. Só tinha um remedio salvador; era encantá-la. Além de se assegurar assim contra a possivel e temida denuncia, obteria de esta forma a guarda do thesouro, guarda fiel, que nada diria e a ninguem se denunciaria.
Estas duas circunstancias resolveram-no. Caminhou para a rapariga, e dizendo certa oração mysteriosa, de elle bem conhecida, fez-lhe sobre a cabeça alguns signaes cabalisticos. A rapariga desappareceu como se tivesse entrado pelo chão, e a cantarinha de barro, cahindo no solo, desfez-se em mil pedaços. Deu o bruxo uma gargalhada infernal e foi-se ao castello.
Quando os Christãos entraram no Algoso, não havia noticias do bruxo. Com a ingratidão do costume, e com o odio dos beneficiados aos autores dos beneficios, corno é dos livros e de todos os tempos, os povos das vizinhanças, que primeiro se serviram do bruxo e a elle iam pedir auxilio por caminhos difficilimos e perigosos, cahiram em massa no Algoso, para lhe assaltarem a casa e roubarem os thesouros. Já o não receavam, nem de nada lhes servia. Mas não encontram mais que a casa de pedra negra e o porco mobiliario bem conhecido de elles, afinal.*
Que encanto déra o bruxo á rapariga do Algoso? preguntar-se-ha.
Quando lhe pôs as mãos na cabeça e lhe traçou sobre ella os signaes cabalisticos, a rapariga transformou-se immediatamente em uma grande cobra. Correu por entre o matto, em que se embrenhou, e foi para o rosal: ahi ficaria até volta do bruxo, a guardar os thesouros.
A’ volta da fonte, erguiam-se copados ulmeiros que formavam ao rosal a mais bella sombra. Por ahi vivia na sua miseria a pobre menina feita cobra. Só uma vez por anno retornava as formas humanas. Dizia-se que era linda como os amores. Alguem a tinha visto de longe, na noite de S. João vestida de branco, na sombra dos ulmeiros, como nuvemzita de neve a subir na madrugada, serenamente.II
Andava accesa na villa a fama da moura da Fonte de S. João. Approximava-se a festa do Santo e estavam lindas de côr e fragrancia as rosas do tanque.
Um rapaz apaixonou-se pelo mysterio da pobrezita, enclausurada na sombra um anno inteiro. A noticia da sua belleza, dos vestidos brancos, e dizia que cantava como os Anjos nessa madrugada festiva, encheram-no de ansiedade.
— Hei-de vêr a moura da Fonte, — disse elle um dia, resolvendo tentar vê-la e fallar-lhe.
— Ela foge, assim que vê alguem, — informou a velha mais velha do Algoso, ao saber da decisão do rapaz.*
Vespera de S. João. Luz no céo, fogueiras na terra. Por felicidade a noite era clara. Cantava-se na villa. Os foliões saltavam aos ranchos nas praças e quintaes, através das labaredas crepitantes das fogueiras em honra do Santo festejado.
O rapaz, quando anoiteceu, dirigiu se á Fonte. Atrás de si as cantigas faziam-lhe inveja, quereria voltar á villa, mas a vontade era maior na direcção de conseguir vêr a moura e fallar-lhe.
— Aqui não consigo nada, — pensou elle para si, ao chegar ao tanque; — a moura, mal se visse, desapparecia, e eu ficava a vêr navios.
Procurou um logar, fronteiro ao tanque, de onde podesse ver, sem logo ser visto. Estava a dez metros, debaixo de um olmo grande que o encobria do lado da fonte. Sentou-se no chão, encostado á arvore, e aguardou. Na villa os ranchos cantavam alegres, e os cantos de todos elles reuniam-se em um canto só, enorme, confuso, como cantochão num pinhal.*
O ar ia refrescando. A atmosphera adelgaçava se, crescia, abobadava-se em luz. Pousava na terra um véo de claridades suaves. Na sineta do campanario repenicava a hora do banho santo. Pareciam vêr-se no ar as ondulações das badaladas.
De ouvido apurado, o rapaz não perdia de vista a fonte. Era á meia-noite que a moura devia de apparecer. Por isso, ao ouvir a sineta da villa, commoveu-se da sensação extraordinaria e desconhecida, que lhe embalava no vacuo os pensamentos e o corpo.
De repente ouve um restolhar no rosal. Grande cobra, uma serpente assustadora, desembocou do mattagal e, subindo ao bordo do tanque, atirou-se á agua. Chapinhou dentro da agua aquelle corpo negro e asqueroso. Três vezes mergulhou com ruido na agua. E os olhos esgazeados do rapaz viram cheios de espanto que a serpente se transformava em mulher.
— A moura! — e a vai ficou-lhe collada á garganta.
A moura sahia lentamente da agua, espannejando-se com alegria infantil de creança, que sahe do banho. Quando estava inteiramente de pé, elle viu-a vestida de urna tunica branca. Firmava os olhos, para se convencer bem de que era a moura, que via alli de pé, deante de si, pois mais lhe parecia pedaço de nevoeiro a fugir das aguas do tanque para as copas amigas dos ulmeiros.
A folhagem cerrada do arvoredo cobria com docel de penumbra a brancura alvejante da moura. As rosas ao lado, no rosal, não eram mais brancas naquella claridade baça.
O rapaz seguia-a attentamente com os olhos. Viu-a depôr na beira do tanque as escamas metallicas da pelle de cobra. Depois a moura saltou para o chão, estouvada e em azougue como collegial em ferias; os cabelos de ouro, que brilhavam em tranças grossas, cahiam-lhe pelas costas ou pousavam no hombro as madeixas macissas. Sentou-se na beira do tanque e espalhava os cabellos. Foi como se uma chuva de estrellas cahisse nella! Os hombros, o peito, a cabeça gentil, resplandeciam. Aquelle recanto sombreado transformava-se em um tabernaculo. Corria o pente de ouro nos cabellos de filigrana, lavrava-os com os dentes macios, cardava o linho de ouro para o precioso tecido com que enfeitava a cabecita.
Ia fallar-lhe o rapaz. Mas a moura principiou a cantar. A voz prendeu-o ao chão, e elle calou-se.
Deante da menina saltitou uma corça branca. Beijava-lhe os pés, corria de um canto a outro voltava a afagar-lhe os pés, calçados em babuchas de damasco azul, com bordados que brilhavam. Se alguma folha cahia, ou algum estalido mais rijo cortava o silencio circundante, logo a corça firmava as patitas elegantes e perscrutava os arredores com olhos vivos e orelhas arrebitadas.
Continuava a moura a pentear-se e a cantar. A sua voz, leve como haste de açucena, erguia-se na limpidez crystallina da madrugada; tinha doçuras e convites de campanario longínquo pelas quebradas. De vez em quando afagava com a mão meudinha a corça que lhe lambia as babuchas de damasco, pendentes da ponta dos pés.
A agua, correndo da pedra da nascente para o tanque, era a unica harmonia que acentuava o canto delicioso.*
Ao longe ouvia-se ainda na villa o côro do banho santo. E a pouco e pouco iam adormecendo os echos. Até que, por fim, nada mais dava signal de vida, fóra do pequeno terreno onde esta scena se passava.
*
Quando acabou de se pentear, o que fez com todo o descanso de quem não tem pressa, duas tranças cahiam-lhe sobre os hombros. Emmolduravam-lhe o rosto, como essas columnazinhas que formam os nichos da Virgem. Deus nos perdoe a lembrança, mas aquella menina, moura sim, era martyr virginal, que a maldade do bruxo para alli tinha encantada sem culpa. Depois de se pôr de pé, inclinou-se para o tanque, onde a agua formava o unico espelho de que ella dispunha. Debruçou-se nas aguas. Decerto viu reflectir-se toda a belleza, que em breves momentos voltaria a esconder-se nas escamas metallicas da pelle de serpente hedionda, que a esperava. Chorou. As lagrimas corriam em fio, e soluçava. O corpo gentil agitava-se em convulsões.
Ergueu-se. Levantou as mãos como numa prece ao céo. O perfil esguiava-se naquelle vestido branco; torcia os braços nús, brancos como nevoa, e, que como nevoa pareciam subir e contorcer-se no ar.*
Condoído, o rapaz quis então fallar-lhe e consolá-la, para o que julgou asado o momento. Não se lembrou do seu interesse. E’ verdade que elle estava ali movido mais pela curiosidade ansiosa de vêr a moura, aquella moura ali na sua frente, do que pela ideia de tirar partido interesseiro do encontro.
Diz-se que, se alguem visse a moura, nas horas para dia felizes, em que tinha forma humana, de ella conseguiria três coisas que lhe pedisse.
Não se lembrou de tal o rapaz. Penalizado pela mágoa da moura, que chorava e se lamentava, teve tentações de lhe fallar e consolar-lhe as afflicções com palavras amigas e de sympathia.
Lá estava dia de pé, á beira do tanque; as mãos, descendo do alto, vieram limpar-lhe os olhos, onde as lagrimas brilhavam como diamantes accesos. E’ o cabello de ouro coroava, aquella figura branca de açucena, com um véo luminoso.*
Ia cantar. Sahiram-lhe da garganta as primeiras palavras de um canto de lagrimas. Que lamentações ergueria então aquelia alma? Àpproximava-se a hora de alva e ella ia desapparecer em breve.
O rapaz ergueu-se. As folhas e o matto rangeram-lhe debaixo dos pés; estalaram as hastes das hervas debaixo das mãos, em que elle se apoiava para se levantar.
A corça estacou de orelhas hirtas e pernas nervosas. A moura deteve-se. E tão depressa elle sahiu detrás da arvore, a corça fugiu com um grito e embrenhou-se no matto. O grito assustou-o e ficou a echoar-lhe no fundo dos ouvidos, com a apprehensão a apertar-lhe as fontes, comprimindo-lhe o coração com susto.
Olhou; a moura desapparecêra. Ouvia ainda o restolhar da corça no matto. A agua do tanque estava agitada, e uma nevoa, dir-se-hia de incenso, evolava-se do tanque, subindo a direito e perdendo-se nas copas dos ulmeiros.
Só as rosas do rosal estavam brancas e perfumadas como antes. E lá em baixo o Angueira batia contra os rochedos, zangado de o não deixarem passar á vontade.
Lenda da Fonte Santa
Lenda da Fonte Santa
Algoso tem muitas capelas. Entre elas destaca-se a capela de S. João Baptista, cuja festa se celebra no dia vinte e quatro de Junho, santo muito venerado nesta povoação. Esta capela é muito bonita e está situada numa das saídas da povoação.
Debaixo do altar sai uma nascente que dá origem à Fonte Santa, pegada à capela. A dita fonte é toda em granito, com um pátio e bancos em volta para as pessoas se sentarem. A água desta fonte não é boa para beber, pois não tem bom sabor, mas é boa para curar males de pele.
Diz-se que noutros tempos passavam por aqui muitos peregrinos, pois este sítio era considerado caminho das rotas de Santiago de Compostela. Ora, como os peregrinos chegavam com os pés doridos, iam lavá-los à Fonte Santa. Eles aproveitavam este local não só para curar as chagas, mas também para descansar.
Esta fonte e esta capela são muito antigas e as suas origens perdem-se no tempo. Uma velha lenda preza também que à “Cabeça Santa”, assim é chamada pela gente da aldeia a imagem de S. João Baptista, lhe crescia a barba sendo necessário aparar-lha. Tudo isso se transmitiu de geração em geração até aos dias de hoje, a prová-lo está a devoção dos habitantes de Algoso ao referido santo.
Local Algoso, VIMIOSO, BRAGANÇA
ColectorAlfredo Cordeiro (M)
Lenda do Crocodilo
Era uma vez um lavrador que vivia na antiga vila de Algoso. Esse lavrador tinha um filho ainda bebé e umas terras junto ao castelo. Um dia foi lavrar as suas terras levando o filho consigo e deixando-o abrigado debaixo de uma fraga enquanto lavrava. Acabou de lavrar e foi buscar o filho, mas no lugar do filho estava um monstruoso crocodilo.
Muito aflito, o lavrador fez então uma promessa a Nossa Senhora do Castelo: se o filho saísse vivo da barriga do crocodilo, ele iria erguer ali uma capela em honra de Nossa Senhora. Pôs-se em cima do crocodilo e saltando em cima dele com toda a força que tinha e batendo-lhe com a aguilhada obrigou-o a vomitar o seu filho vivo. Finalmente matou o monstruoso animal.
Em agradecimento à Senhora, construiu então uma grandiosa capela. Ela ainda hoje está em pé, firme e bonita, e como prova do milagre, dentro da mesma lá se encontra a pele do crocodilo.
FonteROSÁRIO, Serafim do, Terras de Vimioso: Retalhos de Literatura Oral, [Vimioso], sem editora, s/d , p.108
Local Algoso, VIMIOSO, BRAGANÇA
ColectorNelson Brinço (M)
Narrativa
Quando Séc. XX, 90s
CrençaInseguro/ N empenhado
O Saca - Unhas
O Saca - Unhas
Era uma vez, há muito, muito tempo!... Na vila de Algoso, os meninos só queriam subir para a torre da igreja, pois, esta estava sempre com a porta aberta. Então, as pessoas da povoação inventaram uma história para eles não subirem à torre. Esta história dizia que a meio da torre havia uma casa pequenina e aí, num buraco vivia um bicho muito feio, chamado Saca-Unhas, pois, sacava as unhas às pessoas.
Algumas crianças acreditavam mesmo nisso e deixavam de subir à torre, porém, outros não acreditavam e continuavam a subir como dantes.
Esta história foi passando de geração em geração e ainda hoje se conta em Algoso, embora as crianças já não acreditem nessas fantasias.
Local Algoso, VIMIOSO, BRAGANÇA
ColectorSergio Granado Fernandes (M)
Comércio em Algoso
En Algoso aparecen «barquetas»1 castellanas que utilizan los de Castilla para llevar, entre otras cosas, trigo portugués a sus molinos.2
1. «As parcas referencias sobre estes barquetes não permitem identificar se é um medio de transporte que se lança na água ou elevado sobre a água». 1. Vaz de FREITAS, «Linhas de comércio entre Portugal e Castelo nos finais da Idade Média», p. 89
2. Demarcações de fronteira. Lugares de Trás-os-Montes e de Erntre-Douro-e-Minho, p.41
Val Valdivieso, María Isabel del; Villanueva Zubizarreta, Olatz (2008), “Musulmanes y cristianos frente al agua en las ciudades medievales”. Acedido a 17 de Fevereiro de 2011, http://books.google.pt/books?id=9-8i_Ao_eW8C&pg=PA263&dq=Castelo+de+Algoso&hl=pt-pt&ei=eA5dTZW1GYnIhAfwgYGrCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=8&ved=0CEUQ6AEwBzgU#v=onepage&q=Castelo%20de%20Algoso&f=false
Cristão novos em passagem pelo castelo de Algoso
Costa, Sá da (1969), Revista de história económica e social, Edições 19-21. Acedido a 17 de Fevereiro de 2011, http://books.google.pt/books?id=_1TmAAAAIAAJ&q=Castelo+de+Algoso&dq=Castelo+de+Algoso&hl=pt-pt&ei=_gtdTYCrFYexhAeBqbGqCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=6&ved=0CDgQ6AEwBTgK
Quadra popular
Adeus, castelo de Algoso, Sobre a ribeira de Angueira;
O castelo não é nada Sem a sua companheira.
Extracto retirado da Revista Portuguesa Mensal: Ocidente, Volume 70,Edições 333-338. Acedido a 17 de Fevereiro de 2011, http://books.google.pt/books?id=BARYAAAAIAAJ&q=Castelo+de+Algoso&dq=Castelo+de+Algoso&hl=pt-pt&ei=_gtdTYCrFYexhAeBqbGqCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=5&ved=0CDUQ6AEwBDgK
Quadra sobre Algoso e seu castelo
Adeus, adeus ó Algoso, Tens castelo e pelourico;
Eu já não falo contigo, Com a vontade me fico.
Extracto retirado da Revista Portuguesa Mensal: Ocidente, Volume 70,Edições 333-338. Acedido a 17 de Fevereiro de 2011, http://books.google.pt/books?ei=bPpcTYGkEdeqhAfmvuipCA&ct=result&hl=pt-pt&id=wd4ZAAAAMAAJ&dq=Castelo+de+Algoso&q=Castelo+de+Algoso#search_anchor
Desertificação de Algoso a partir de meádos do Séc. XIV
Apesar de apenas registado em fundo através da vista Oeste do castelo de Mogadouro, o castelo de Algoso consta do Livro das Fortalezas, pelo que não oferece qualquer dúvida a sua existencia física no espaço fronteiriço transmontano mas, como afirma Gomes (2003, p. 145), “A localidade medieval que correspondia a esta comenda manifestou uma tendência a desertificação a partir do século XIV”. Este castelo, sede de uma comenda dos Hospitalários desde o séc. XIII, remonta ao séc. XII e caracteriza-se por uma torre de menagem heptagonal que assenta de forma directa sobre um afloramento rochoso, apresentando várias fenestrações, uma delas munida de um balcão com matacães cobrindo a entrada do recinto, o que indicia uma utilização simultaneamente militar e residencial, como se pode comprovar pela leitura das Actas de Numeramento dos moradores de Trás-os-Montes de 1530, a que Gomes (2003, p. 148) igualmente faz alusão através de Anselmo Braamcamp Freire (1909, p. 264):
“A villa d'Algoso tem hu castello, onde nam vyve senam o alcaide (...)”
Correia, Luís Miguel (2010), "Castelos em Portugal. Retrato do seu perfil arquitectónico (1509-1949) ". Acedido a 17 de Fevereiro de 2011, http://books.google.pt/books?id=NvrKKADg2M4C&pg=PA95&dq=Castelo+de+Algoso&hl=pt-pt&ei=bPpcTYGkEdeqhAfmvuipCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=4&ved=0CC8Q6AEwAw#v=onepage&q=Algoso&f=false
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Da origem e estabelecimento da inquisição em Portugal (Algoso)
Um dos mais incansaveis Nembroths, dos mais rudes caçadores de homens, que a Inquisição teve nos primeiros tempos de sua existencia, foi um certo Francisco Gil. Este miseravel tinha começado a carreira dos seus crimes pelo assassinio do genro de um mercador honrado de Lisboa, assassinio perpetrado publicamente no meio da Rua-nova2.
Revestido do cargo de sollicitador do tribunal da fé, Francisco Gil foi enviado pelas provincias a descubrir os sectarios occultos do judaismo. A empreza podia ser odiosa; mas não era nem arriscada nem difficil. O activo agente achou logo um melhodo efficaz e simples de obter avultada colheita. Chegando a qualquer logar onde residissem christaos-novos, mandava annunciar que em tal igreja se havia de fazer uma festa e procissão solemne. Corria o povo ao templo no dia assignalado. Então elle mandava fechar as portas e em nome da Inquisição intimava aos fiéis, debaixo das mais terriveis excommunhões, que, se no meio delles estavam alguns judeus occultos, os bons christãos lh'os indicassem1. Então os desgraçados reprobos do povo eram mandados pôr á parte, e d'alli conduzidos para a cadeia á ordem dos Inquisidores.
No seu gyro o implacavel commissario chegou a Miranda do Douro, e esse districto pa
l «quod quaecumque persona ibi cognoverit christianum novutn, ostendat illum:" (Ibid. fol. 312.) E evidentemente uma exaggeração de phrase. Gil não podia exigir que lhe indicassem os christaos-novos para os prender, mas sim os christãos-novos suspeitos de judaismo. É provavel, todavia, que em muitas partes o fanatismo tornasse synonimas as duas expressões.
Foram presos naquella villa onze individuos de ambos os sexos. Cada um delles devia , pagar-lhe quatorze mil reaes, somma que o sollicitador da Inquisição calculava ser necessaria para se transportarem ao logar em que, segundo as ordens do infante inquisidor-geral, deviam ser retidos.
Intimados judicialmente para apromptarem o dinheiro, resistiram todos, menos um pobre velho que jazia gravemente enfermo. Mandaram-se então inventariar e pôr em almoeda os bens dos réus, e estes foram removidos do castello de Miranda para o de Algoso, situado n'um ermo a meia legua da povoação deste nome. Gaspar Rodrigues, o velho enfermo, fôra ahi arrematante das rendas reaes.
O povo tinha-lhe má vontade, e os christãosnovos diziam que esta mudança era calculada para accender mais contra elle e contra os seus companheiros de infortunio a sanha popular. No castello de Miranda, construcção solida cingida por cinco torres alterosas, os simples ferrolhos dos alçapões do carcere respondiam pela segurança dos presos: no de Algoso, ruina de antiga fortificação, e longe do povoado, cumpria collocar guardas que obstassem a qualquer tentativa interna ou externa de evasão.
As tropas concelheiras, unicas que então havia, foram chamadas para aquelle serviço, e os factos vieram confirmar as previsões da gente da nação. As injurias das sentinellas ferviam sobre os encarcerados, e os camponezes mostravam para com Gaspar Rodrigues a mesma dureza de coração, que provavelmente elle lhes mostrára como exactor de tributos. A sua vingança estendia-se, porém, aos innocentes. Só a peso de ouro obtinham os presos os objectos mais necessarios á vida, o lume, a agua, os alimentos. Certo dia os guardas accenderam em frente da prisão uma grande fogueira e lançaram dentro um cão que ficou reduzido a cinzas. Era, diziam elles, o que haviam de fazer aos judeus que guardavam, antes que d'alli saissem. Entre estes havia uma Isabel Fernandes, mulher abastada, a quem Francisco Gil e o seu meirinho Pedro Borges tinham extorquido cem mil réis a pretexto de despezas de transito. Sem cama, sem uma camisa para mudar, a desgraçada chorava noite e dia. O esbirro offereceu-lhe então, não só confortos, mas até a liberdade se quizesse perfilhá-lo. Recusou. Redobraram os maus-tractos e carregaram-na de cadeias.
Vencida pela miseria e pela amargura a infeliz endoudeceu. Aos presos, que não lhe davam qualquer objecto que lhes pedia, trocava o malvado os grilhões por outros mais pesados, ou fazia-os descer a um logar profundo e humido, onde os deixava mettidos na agua. Gaspar Rodrigues, ferido já pelos ferros, leso de uma perna e a bem dizer semimorto, passou por ambos os martyrios. Francisco Gil accrescentava a estas barbaridades do seu meirinho uma singular extorsão: quando se lançavam ou augmentavam os grilhões aos presos, fazia-lhes pagar o custo delles. As pessoas que se dirigiam ao castello de Algoso para falar ás victimas, se acaso se demoravam mais tempo do que o permittido, impunha-lhes a multa de vinte mil reaes, e mandava-as expulsar d'alli, quando não as encarcerava1. Acaso as suas instrucções eram estas, e talvez a multa, fixada de antemão pelos inquisidores, não revertesse em seu beneficio. Fosse o que fosse, o que succedia era que ás vezes, a troco de alguns cruzados de peita, os colhidos na rede remiam a prisão e a multa. O espirito, porém, de violencia e de rapina dos dous agentes da Inquisição era tal, que elles proprios se tornavam ás vezes instrumentos indirectos da vingança das suas victimas.
1 O documento que seguimos diz que Francisco Gil multava quem vinha a Algoso, e que lhe impunha a pena de desterro: é evidente que estas expressões sío exaggeradas.
A rustica milicia da comarca de Miranda não desfructava gratuitamente o prazer de affrontar os presos de Algoso. Os lavradores tinham não só de velar o Castello, mas também de fazer roidas e vélas, ora num ora n'outro logar. Os indiciados de judaismo não se reduziam aos onze martyres transferidos para Algoso. As listas de réus eram extensas; as capturas multiplicavam-se; e os habitantes de qualquer aldeia que não iam dormir juncto do meirinho e dos outros esbirros, quando ahi chegavam com algum preso, eram severamente multados.
Herculano, Alexandre (1859), " Da origem e estabelecimento da inquisição em Portugal: Tentativa historica, Volume 3 (Google eBook)". Acedido a 2 de Fevereiro de 2011, http://books.google.pt/books?id=umwNAAAAYAAJ&pg=PA125&dq=Algoso&hl=pt-pt&output=text#c_top
"
Romanceiro da Província de Trás-os-Montes (distrito de Bragança)
Cantado por Clementina da Assunção Afonso, de 47 anos de idade. Algoso (c. de Vimioso),n 31 de Julho de 1980
Juntaram-se as três comadres numa rua todas três;
uma dava o trigo, o vinho, e um cabrito dum mês.
Uma olhava pera a lua: - Oh que queijinho francês!
Estando elas nesta dança, chega o marido da Inês.
Palo numa, palo noutra, palo em todas as três.
Nota: Canta-se sarandilha entre os hemistíquios e sarandilh'andando, sarandilho és entre os versos.
Fontes, Manuel da Costa; Fontes, Maria-João Câmara (1987), " Romanceiro da Província de Trás-os-Montes (distrito de Bragança), Volume 1". Acedido a 30 de Janeiro de 2011, http://books.google.com/books?id=ylMixz_LcREC&pg=PA695&dq=Algoso&hl=pt-br&ei=MphFTevCKMbzsgbn6Yy7Dg&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=5&ved=0CDkQ6AEwBDgK#v=onepage&q=Algoso&f=false
domingo, 30 de janeiro de 2011
Romanceiro da Província de Trás-os-Montes
Recitada por Clementina da Ascensão Afonso, de 47 anos de idade, Algoso (c. de Vimioso), 31 de Julho de 1980
Alta vai a lua, i-alta mais que o sol ao meio-dia;
mais alta ia a Senhora quando p'ra Belém ia.
S. José ia atrás dela cantando a avé-maria.
S. José foi buscar lume porque a noite estava fria;
quando S. José voltou já a Virgem estava parida.
Os anjos perguntaram como ficou Maria.
- Maria ficou bem, na sua céldora metida.
Fontes, Manuel da Costa; Fontes, Maria-João Câmara (1987), " Romanceiro da Província de Trás-os-Montes (distrito de Bragança), Volume 1". Acedido a 30 de Janeiro de 2011, http://books.google.com/books?id=ylMixz_LcREC&pg=PA695&dq=Algoso&hl=pt-br&ei=MphFTevCKMbzsgbn6Yy7Dg&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=5&ved=0CDkQ6AEwBDgK#v=onepage&q=Algoso&f=false
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Rota dos castelos e igrejas
Nesta época em que o tempo anda farrusco, que tal um passeio num destes fins-de-semana por uma rota de castelos e igrejas do interior norte do país? Bora lá!
Miguel Rodrigues, da Direcção Regional da Cultura do Norte, é o nosso guia neste roteiro de algumas centenas de quilómetros, mas que valem bem a pena.
A sugestão é começar pelos castelos de origem medieval ao longo da raia nordestina, até pela importância que tiveram na "fixação e protecção das populações junto à fronteira".
Em Freixo de Espada à Cinta existe um centro histórico "muito bem conservado, que tem uma igreja manuelina notável e uma torre que é o que resta da antiga fortaleza".
Mogadouro é o próximo passo, pois conta com a ruína de um castelo que pertenceu à Ordem do Templo. Muito próximo encontra-se o Castelo de Penas Róias que permite "uma vista fantástica pelo planalto mirandês".
Continuando a subir em direcção a Bragança é o Castelo de Algoso, em Vimioso, que impõe a paragem. "De todos é talvez o mais interessante. Está situado num penedo e muito bem conservado". Na povoação existe um centro interpretativo.
Segue-se Miranda do Douro para ver a Sé e as antigas muralhas. Já ali existiu um castelo mas foi "destruído no século XVIII numa explosão resultante de uma guerra entre Portugal e Espanha".
Chegados a Bragança é imperativa uma visita à cidadela fortificada e à Domus Municipalis, "edifício de carácter românico e com utilização civil mais antigo na Península Ibérica".
Miguel Rodrigues não se esquece de sugerir também a visita a castelos e vilas amuralhadas no Douro, como é o caso da de Ansiães (Carrazeda de Ansiães) e da de Numão (Vila Nova de Foz Côa).
"São anteriores à nacionalidade, têm grandes muralhas e foram abandonadas nos séculos XVII e XVIII. No entanto ainda têm as fortificações bem conservadas e as igrejas que existiam no interior".
No planalto de Numão também chama por si o Castelo Velho, que embora tenha esta designação é um sítio arqueológico com mais cinco mil anos e que é um testemunho da fixação das primeiras pessoas naquela região, depois de abandonarem uma vida nómada.
O Castelo de Penedono e as igrejas matrizes de Torre de Moncorvo e Foz Côa são igualmente imperdíveis.
Turismo histórico a crescer
Miguel Rodrigues acredita que o número de visitas a este tipo de património tem tendência para aumentar. Mas será uma espécie de "turismo familiar", feito de carro, por famílias inteiras ou casais entre os diversos pontos.
Até porque estão em construção novas estradas que vão facilitar o acesso. Considera ainda que toda a região de Trás-os-Montes e Alto Douro é também "muito interessante" em termos paisagísticos e gastronómicos, havendo uma série de vilas que "merecem ser visitadas" por outros aspectos além do património histórico.
Pinto, Eduardo (2011), "Rota dos castelos e igrejas", 07 de Janeiro de 2004. Acedido a 27 de Janeiro de 2011, http://www.jn.pt/VivaMais/Interior.aspx?content_id=1750381&page=-1
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Fotografia aérea
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Pregão às aldeias do Concelho
Fumadores de Algoso,
Bailantes de Vale de Frades,
Curtidores de Carção,
Em Caçarelhos mocidade;
Tendeiros do Campo,
Os de Vimioso são letrados,
Bugalhudos de Santulhão,
Como toda a gente sabe.
Os gaiteiros são d'Angueira,
De Avelanoso os carvoeiros,
Os de Pinelo são boieiros,
E de Serapicos os raticos.
Surradores de Argoselo,
De São Joanico os sapateiros,
Em Vale de Pena carvoeiros,
E de Vilar Seco os 'scrinheiros.
Autor desconhecido
domingo, 14 de novembro de 2010
Rota da Terra Fria Transmontana
Rotaterrafria, “Rota da terra fria”, 6 de Março de 2007. Videograma online. Youtube. Acedido em 4 de Novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
A Moura de Algoso
Na verdade, ricos e pobres, de longe ou de perto, todos ali acudiam em busca de cura para os seus males, pedindo filtros de amor ou indagando sobre o que lhes reservaria o futuro.
Em certos dias era uma autêntica romaria. E com tudo isto o bruxo criou fama e proveito de homem rico, apesar de continuar a viver no pobre casebre tentando fazer-se passar por miserável. Entretanto, os cristãos iam avançando na reconquisto de território ainda sobre a dependência dos Mouros e estavam a aproximar-se rapidamente de Algoso. Sabendo disto o bruxo, que não podia prever o seu próprio futuro, calculou que a ocupação cristã não viesse a ser muito demorada e decidiu esconder os seus tesouros, disposto a recuperá-los mais tarde, quando pudesse recuperar o seu oficio.
Assim pensando, escolheu o que poderia carregar consigo, e o restante, as jóias e o ouro, meteu-o num cofre de marfim chapeado a cobre. Feito isto, e como precisava de encontrar um bom esconderijo para a sua fortuna, partiu com o cofre debaixo do braço em demanda do melhor local.
Depois de muito procurar, achou que o melhor sitio era debaixo da fonte de S. João, debaixo das raízes de um enorme e belo chorão que derramava a sua sombra as águas. Pegou numa enxadinha e cavou um buraco apropriado ao tamanho do cofre. Meteu-o lá dentro, tapou-o com terra e disfarçou a obra com folhagem e gravetos.
Terminando o trabalho, levantou-se e olhou em volta. Espantado, viu uma mourinha que, descuidada, descia uma vereda da serra cantando uma velha canção. Convencido que a moura o vira esconder o cofre e estava agora a disfarçando o caso, o bruxo encaminhou-se para ela, olhou-a com uma estranha fixidez, fez uns sinais misteriosos e, recitando certa oração antiga, lançou sobre a menina um encantamento, de tal modo que ela desapareceu no mesmo instante. Casquinhando, esfregou as mãos, pegou nos seus haveres e desandou rapidamente para a floresta, donde nunca mais voltou. A lenda da moura de Algoso foi passando de boca em ouvido, de geração em geração.
A fonte de S. João de resto, continuava ali, lembrando a todos a desdita da mourinha encantada pelo bruxo e desafiando a coragem de quem sonhasse desencantá-la. Uma noite, muito próxima da de S. João, uma rapaz de Algoso que se apaixonara pela história sonhou que via a moura na fonte. Mal acordou, decidiu que, desse lá por onde desse, havia de tentar ver na madrugada de S. João se a lenda era verdadeira. Além disso, como corria se alguém visse a moura nas suas horas felizes lhe podia fazer três pedidos, os quais seriam atendidos, o rapaz achou que, apesar do medo, era talvez vantajoso fazer aquela tentativa. Na véspera de S. João, encaminhou-se para a fonte ainda antes de anoitecer por completo. Procurou um local para se esconder, um local de onde visse sem ser visto, e preparou-se para esperar pela meia noite sem fazer ruído algum. O velho chorão da fonte, já centenário, continuava lançando sobre a água os seus ramos lacrimejantes.
Do outro lado, havia agora um belíssimo roseiral, donde provinha um perfume intenso quando todas as rosas abriam. Chegou a meia noite. De repente o rapaz ouviu uma restolhada vinda das bandas do roseiral. Era uma enorme serpente que, rastejando, se dirigia para a fonte. Aí chegada, mergulhou três vezes. Qual não foi o espanto do moço quando viu aparecer sobre as águas uma menina: a moura da fonte e... mais bela do que tradição contava. A moura saltou com leveza da rocha para o solo e, sentando-se na borda da fonte, começou a cantar uma suave canção que o marulhar da água acompanhava, enquanto ela ia passando um pente pelos seus cabelos loiros. Subitamente, uma corça apareceu vinda da floresta e, sem mostrar qualquer receio, aproximou-se da moura, que a afagou com ternura. A corça, num gesto de agradecimento, lambeu-lhe as babuchas de damasco azul.
Era realmente um espectáculo de beleza que o rapaz jamais esperava encontrar, E, acocorado no seu canto, esqueceu os três pedidos que queria fazer, esqueceu tudo, esqueceu-se até de si mesmo, até que, bruscamente, a moura parou de se pentear, debruçou-se no tanque e desatou num pranto irreprimível. Chorava, talvez, a dor da sua solidão sem fim. Condoído, o rapaz fez um movimento para a consolar, esquecido do que não fosse aquela ânsia de ternura que dele se apoderara. Ao erguer-se, porém, fez estalar sob o corpo os ramos da sebe em que se escondera. A corça embrenhou-se rapidamente no mato e a moura desapareceu subitamente, evolando-se numa névoa sobre a águas da fonte de S. João de Algoso.
Actividade lúdico/cultural
Venha percorrer os antigos caminhos que ligam Atenor a Algoso com a companhia dos burros de Miranda, uma raça autóctone desta região e em vias de extinção.
Aproveite ainda para conhecer o Centro de Recria do Burro de Miranda, em Atenor, visitar uma exposição sobre a raça e antigos usos, e ainda, dependendo da época do ano, acarinhar pequenos burricos nascidos ali.
Duração: 2 dias
Número de pessoas: nº mínimo de participantes - 6 adultos (para números inferiores terá de ocorrer adaptação do preço)
Ponto de partida: Atenor
Ponto de chegada: Valcerto
Dificuldade: Médio (alguns desníveis consideráveis para ultrapassar os pequenos vales). Sempre por caminhos.
Distância: 29 km
Burros: 1 burro/2-3 pessoas
Motivos de interesse: paisagem, cultura, património, fauna, flora
Observações: aconselhável levar binóculos
Preço: Burriqueiro Familiar - 210 €/pessoa
Burriqueiro Campista – 140 €/pessoa
Burriqueiro Aventura – 85 €/pessoa
Dia 0 Chegada e instalação dos participantes.
Dia 1
Desde a aldeia de Atenor, partiremos numa grande aventura tendo como companheiros de viagem alguns exemplares de Burros de Miranda. Passaremos por montes e vales verdejantes, seguindo por caminhos utilizados pelas pessoas locais desde há muitos anos, até atingirmos Vale de Algoso.
Logo um pouco após a saída de Atenor, vislumbraremos o Castelo de Algoso ao longe, espreitando por entre montes salpicados de campos e pombais tradicionais. Passaremos ao lado de Teixeira e seguiremos em fila indiana por um velho carreirão outrora utilizado para chegar de forma mais rápida até Mora (a aldeia vizinha). O carreirão acompanha o Ribeiro do Prado, até atingirmos a Ribeira das Tortulhas. Dependendo da época do ano atravessá-la poderá ser uma aventura!
O caminho até Uva é curto e sem grandes dificuldades. Logo depois de alguns minutos de caminho, poderemos observar a aldeia dos pombais. Após passarmos as eiras, local onde anteriormente o cereal era trilhado e separado, entraremos na povoação onde tentaremos visitar um dos seus muitos pombais tradicionais.
Seguiremos o antigo caminho até Vale de Algoso, durante o qual atravessaremos o Rio Angueira através de um açude, junto às ruínas de um antigo moinho de água. Após a última subida da jornada, atingiremos Vale de Algoso, aldeia onde as casas antigas de pedra ainda predominam, onde se situa o Turismo Rural - Casa dos Pimentéis. A boa hospitalidade de quem aí mora tornará a sua estadia muito agradável.
Dia 2 Partiremos de Vale de Algoso em direcção a Algoso, por entre caminhos inicialmente rodeados de hortas e mais à frente de matos mediterrânicos, olivais e amendoais. Em tempo de amendoeiras em flor deparamo-nos com uma visão deslumbrante de encostas cobertas de branco com o castelo de Algoso ao fundo.
Após uma visita aos pontos mais emblemáticos da aldeia, subiremos até ao Castelo para usufruirmos de uma ampla vista sobre todo o planalto.
Já da parte da tarde, subiremos até à aldeia de Valcerto através de um caminho em ziguezague que se desenvolve por um bosque de sobreiros centenários.
Sempre com a imagem do Castelo de Algoso como companhia, agora desde uma outra perspectiva, chegaremos a Valcerto onde seremos recebidos pelos seus habitantes, e sempre que possível pelas Pauliteiras de Valcerto.
Contactos: burranco@gmail.com ou 960173863/914093724
O rio Sabor é um dos últimos rios ibéricos sem barragens. Este factor, associado à elevada diversidade biológica e muito baixa perturbação humana em toda a sua bacia, levou à sua classificação como um dos últimos rios naturais de Portugal. Sobre ele paira a ameaça de construção de uma grande barragem que iria destruir irreversivelmente um património único e de todos nós.
Com este passeio poderá conhecer alguns dos mais extensos e bem conservados azinhais e sobreirais do Nordeste do país, a vegetação do leito de cheia outrora comum à maior parte dos rios e outros habitats incluídos na Rede Natura 2000.
Poderá também acompanhar o voo de várias espécies rupícolas ameaçadas, tal como a águia de Bonelli, a águia-real, o abutre do Egipto e a cegonha-preta, e maravilhar-se com as belas paisagens de um rio, ainda, livre. Embora difíceis de observar, existem numerosas espécies de mamíferos presentes neste vale, e que nos poderão sempre surpreender – lontra, toupeira-de-água, gato-bravo, fuinha, gineta, doninha, javali, corço e lobo, entre outros.
À semelhança do vale do Côa, também aqui poderemos encontrar gravuras rupestres, algumas delas datadas do Paleolítico.
Dependendo da época do ano, poderá ainda usufruir de uma agradável banhoca nas águas do Sabor.
Duração: 2 dias
Número de pessoas: nº mínimo de participantes - 6 adultos (para números inferiores terá de ocorrer adaptação do preço)
Ponto de partida: Sampaio
Ponto de chegada: Ponte de Remondes
Dificuldade: Médio. Sempre por caminhos.
Distância: km
Burros: 1 burro/2-3 pessoas
Motivos de interesse: paisagem, fauna, flora, habitats
Observações: aconselhável levar binóculos
Preço:
Burriqueiro Familiar - 210 €/pessoa
Burriqueiro Campista – 140 €/pessoa
Burriqueiro Aventura – 85 €/pessoa
Para marcações: burranco@gmail.com ou 960173863/914093724
Usos e Costumes de Algoso - Bragança - Encomendação das Almas
Folclore-online (s/d), "Usos e Costumes de Algoso - Bragança - Encomendação das Almas" ,s/d, consultado em 4 de Novembro de 2010, <http://folclore-online.com/ciclos/quaresma/encomendacao_almas_algoso.html>
Vale de Algoso apaixona “tripeiros”
ALGOSO


quarta-feira, 3 de novembro de 2010
ALGOSO, Comendador
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Fonte:Notícias do Douro
Aldeia julga ter visto ovni que ateou incêndio
Maria Olívia Vaz, proprietária de um café na aldeia, diz ter visto duas luzes tão grandes que, quando tentou olhar para elas, ficou "com as vistas afectadas". Receosa que os objectos caíssem em cima de casa, gritou, provocando pânico entre os clientes que se encontravam na esplanada e que presenciavam igualmente o fenómeno. Anabela Martins conseguiu guardar um pequeno resíduo dos fragmentos para "recordação".
Aquela testemunha garante que na cauda da luz viu "um rasto de fumo que foi desaparecendo à medida que se aproximava do solo". Os bombeiros de Vimioso recolheram alguns vestígios, que serão enviados, hoje, para o Observatório Nacional de Astronomia.
Fonte: Algoso Online
em 13-05-2005 07:21








